terça-feira, 21 de agosto de 2012

Tarte de Maças Agrais

É possível reconhece-la só pelo cheiro, nenhuma tem perfume igual!
Menina, roliça, em todos despertava cobiça.
Isso era antigamente, agora dizem-na selvagem, rude, renegaram-na!
Preteriram-na a favor de outras, as estrangeiras, cheias de maquilhagem e brilhos postiços!
Que pena, pobre pequena, caiu no esquecimento, ninguém se lembra dela.
Bem, isto é cá dentro, porque lá fora ela ainda brilha... sim é verdade, lá fora é apreciada e valorizada!
Que coisa estranha esta! 



A minha querida vizinha, a Fátima, deu-me um saco cheio de maças agrais do seu quintal. São maças, de aroma intenso e bastante ácidas, fruto de macieiras silvestres, que outrora eram abundantes junto da margem do rio Coura, na veiga onde eram também abundantes os campos de milho. Começam agora a amadurecer.
No tempo dos meus avós eram colhidas, dispostas em prateleiras entre a palha, duravam meses. Com elas também se fazia a sidra, a aguardente de maça, doce... tudo isto se perdeu e infelizmente também as macieiras já são raras.


Gosto de as comer bem maduras com pão, em tartes, doces ou assadas são incomparáveis!

Na verdade não fiz esta tarte sozinha, fize-mo-la os dois, eu e ele, por isso é a tarte de maça do Jamie e da Lenita.
Deixem-me que vos diga que é muito, muito boa! Acho que foi a melhor que fiz até hoje e já fiz muitas.
O maior mérito é sem duvida das maças.



Ingredientes:
Massa
250 g de farinha (alguma mais para polvilhar a bancada);
50 g de açúcar;
1 limão;
sal q. b.
125 g de manteiga gelada;
1 ovo;
1 golo de leite.

1 ovo e um pouco de leite para pincelar a massa.

Recheio
1 kg de maças agrais (peso já descascadas e sem caroço);
4 colheres de sopa de açúcar mascavado claro;
1/2 colher de chá de gengibre em pó;
1 punhado de uvas passas;
1 punhado de bagas goji;
1 punhado de avelãs;
1 pau de canela;
raspa de 1/2 limão;
1 shot de moscatel;
1 colher de sopa de mel.

Execução:

Massa
Peneirar a farinha para uma tigela. Juntar uma pitada de sal  e a raspa do limão.
Cortar a manteiga em cubos pequenos e trabalha-la com as pontas dos dedos, misturando-a com a farinha de forma a obter uma massa areada.
Adicionar o ovo e um golinho de leite, continuar a trabalhar a massa só até que seja possível formar uma bola.
Envolvê-la em película aderente e levar ao frigorífico.



O Recheio
Partir as maças em pedaços, levar ao lume com o açúcar, as passas, as bagas goji,  as avelãs, o gengibre, um pau de canela, o shot de vinho moscatel, a raspa de limão, um pouco do sumo e o mel.
Deixar cozinhar um pouco, até que as maças estejam macias, mas não desfeitas.





Untar uma forma para tarte com alguma profundidade.
Retira um terço da massa e reservar (para a tampa).
Estender a massa sobre uma superfície enfarinhada, forrar a tarteira. Não se preocupe se a massa se romper, pressione um pouco para que se volte a unir. Encher com o recheio.
Estender a restante massa. 
Bater um ovo pequeno com um golo de leite e pincelar o bordo. Aparar um pouco os bordos, e vira-los para cima, formar um bordo bem selado. Com as aparas da massa decorar a gosto.
Abrir um orifício ao centro da tampa para permitir a saída de vapor. 
Pincelar com o ovo batido com um pouco de leite.
Levar ao forno, pré-aquecido a 180º, cerca de 35 minutos, ou até estar dourada.



Um dia deste vou dar um passeio pela margem do rio Coura, do lado da veiga e ver o que é feito das macieiras agrais da "beirada", quem sabe algumas ainda resistem, fiquei com vontade de fazer compota com elas.




Gostei das bagas goji aqui, para além da cor que aportaram, enriqueceram com o seu doce sabor.




Gostava de vos recomendar esta tarte, mas não sei se será fácil arranjarem maças agrais, contudo ela ficará muito boa com outro tipo de maças, saborosas e ácidas, ou como recomenda o Oliver, uma mistura de vários tipos de maças.


Que pena que nós por cá não soubemos valorizar estas maças, outros países fizeram-no, é o caso de Espanha (Galiza, Astúrias, País Basco) da França, da Bélgica, da Alemanha… onde floresceram indústrias de produção de sidra.


Sidra não sei, nem posso fazer, mas esta tarte espero repetir mais algumas vezes... trouxe o cheiro do outono, num dia de verão que tinha mesmo recortes outonais.

domingo, 19 de agosto de 2012

Mousse Amoras com Espuma de Pêssego

Queria que fosse fresca, muito fresca!
Queria que fosse colorida, que prendesse o olhar!
Queria que deixasse a boca imediatamente entreaberta, suspensa de antecipação da festa de sabores.
Queria que todos gostassem dela e desejava que fosse "A Sobremesa mais Fresca do Verão".
Tudo por causa dela... queria tanto que fosse minha!
Sei que muitos a desejam e uma boa parte deles merecem-na mais do que eu.



Estou a falar da "Kitchenaid" que será o 1.º prémio passatempo da Royal no facebook,  "A Sobremesa mais Fresca do Verão".
Não imaginam o tempo que esta receita andou às voltas na minha cabeça!
Mesmo assim foi feita um pouco de improviso, fui adicionando os ingredientes à medida que a fiz.
Não ficou como a sonhei... mas ficou muito boa!




Ingredientes:


Mousse Amoras
500 g de amoras;
400 ml de água;
3 saquetas* de gelatina de framboesa Royal;
1 saqueta* de gelatina neutra Royal;
100 g de açúcar;
1200 ml de leite;
5 ovos;
2 colheres de sopa de amido de milho.

*cada embalagem trás 2 saquetas.

Espuma de pêssego
1 saqueta de gelatina mix pêssego/manga Royal (pode ser só pêssego);
200 ml de água;
2 pêssegos grandes.

Decoração:
amoras;
frutos silvestres variados (groselhas, mirtilos, framboesas, arandos).



Execução:
Num tacho levar ao lume as amoras com o açúcar. Deixar ferver um pouco.
Desfazer a gelatina de framboesa e a gelatina neutra na água a ferver e juntar às amoras.

Triturar tudo e passar por um coador de forma a eliminar as sementes das amoras, aproveitando a maior quantidade de polpa possivel.
Arrefecer à temperatura ambiente.
Separar as gemas das claras.
Bater as gemas com um  pouco de leite frio.
Desfazer o amido de milho em leite frio, juntar ao restante leite e levar ao lume até levantar fervura, mexendo sempre. Lentamente, em fio, adicionar as gemas desfeitas no leite. Mexer até engrossar e ficar um creme, não muito espesso. Deixar arrefecer.
Depois de frios, juntar os dois preparados e misturar bem, mexendo com uma colher.
Bater as claras em castelo e cuidadosamente envolver no preparado anterior.
Forrar a parte lateral de uma forma circular, de fundo amovível, grande com acetato. Encher com a mousse deixando um pouco abaixo do bordo para posteriormente colocar a espuma de pêssego. Levar ao frigorífico durante algumas horas, até prender bem.




Espuma de pêssego
Desfazer a gelatina de pêssego na água a ferver. Deixar arrefecer.
No liquídificador bater a polpa dos pêssegos com a gelatina até ficar com uma consistência espumosa.
Deitar sobre a mousse de amora e levar ao frigorífico, durante cerca de 2 horas, ou até prender bem.
Desenformar cuidadosamente, retirando primeiro o aro e depois descolando (com ajuda de uma faca) o acetato.



Decorar com chantilly, amoras e frutos silvestres variados.



Servir bem fresca.



Uma mousse deliciosa,  esponjosa, que se desfaz na boca.



Vai um pedacinho?
Fica aqui o  LINK da minha participação no concurso, se vos apetecer passem por lá e deixe-me um "GOSTO".

No meu "pequeno lago" florescem nenúfares como este!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Fruta Muito Fresca - Aspic

- Posso fazer o tempo voltar a trás. Posso regressar no tempo e voltar a ver o que já passou.
- Deixa-te de conversa da treta!
- Posso e vou prova-lo!
-Bazófias, ninguém pode viajar no tempo.
-Eu posso e se quiseres levo-te comigo. Queres vir?


Este gelatina com frutas e flores de kiwi, ou aspic se preferirem, foi feita em Maio, no auge da época das cerejas.
Não coloquei aqui as fotos e acabei por me esquecer. Agora como andamos por cá "às voltas" com as gelatinas, lembrei-me dele. Acho que merece ocupar  o seu lugar pois é uma bela "Tentação Sobre a Mesa".


A receita é a mesma do anterior podem espreitar  AQUI .
Apenas as frutas usadas foram outras, cerejas, meloa, pêssego, kiwi. alguns mirtilos e arandos.
As folhas são de menta, no anterior eram de hortelã.


Podem-se usar todos os sabores de gelatina, ou então gelatina neutra aromatizada com Moscatel, Favaios ou Vinho do Porto.  Juntar ervas aromáticas e especiarias a gosto. a hortelã mourisca, a hortelã pimenta, o magerição, flor de anis, gengibre ralado, mel... basta deixar voar a imaginação.
As flores ficam tão bonitas aqui, têm que ser  comestíveis  e  de cultivo biológico. 


É um presente para os olhos e para o paladar, fresco saboroso e saudável! Não se pode pedir mais nada de uma sobremesa.


Agora que o revi, que vontade me deu de fazer outro! 


Vamos fazer um aspic de frutas?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Batido de Amoras

Se eu podia passar sem elas?
Claro que podia, mas não era a mesma coisa!


Ingredientes:
1 iogurte natural (usei grego);
1 chávena de leite;
1 chávena de amoras;
1/2 chávena de morangos;
5 cubos de gelo;
açúcar q.b.


Execução:
Colocar todos os ingredientes no liquídificador e bater bem.


Fresquinho, natural, cheio de anti oxidantes... tão bom!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Gelado de Menta


E se de repente te apetecer algo bom?
Algo mesmo bom?



Tenho feito algumas experiências no que toca a gelados, quem passa por aqui sabe disso, esta foi mais uma a pedido do meu filho Tiago.  
A menta abunda no quintal, ou melhor abundava que foi necessário fazer algumas "limpezas" e uma boa parte teve que se cortar. Aproveitei então para fazer o gelado e muitos refrescos. 


Noutra época do ano teria comprado bombons "After Eight" para o enriquecer, mas agora não se encontram. 
Realizei algumas pesquisas de receitas, a maioria refere licor de menta como ingrediente principal, o que certamente dará um excelente resultado mas, tal como os bombons, não encontrei... por isso improvisei e devo dizer que com bom resultado!

Ingredientes:
250 ml de leite;
200 ml de natas;
125 ml de açúcar;
1 molho de folhas de menta;
4 gemas + 2 claras;
pepitas de cacau q.b.


Execução:
Triturar as folhas de menta junto com o leite.
Levar ao lume e deixar ferver em temperatura baixa.
Bater as gemas com o açúcar, lentamente em fio, adicionar o leite com a menta mexendo sempre. Levar novamente ao lume até espessar. Arrefecer o creme.
Bater as natas, juntar ao creme e misturar pepitas de cacau.
Bater as claras em castelo e envolver bem no creme.
Colocar na sorveteira, cerca de 35 minutos.
Congelar algumas horas.


Servir decorado com raspas de chocolate e folhas de menta.


Comer com alegria.! 
É fresquíssimo, foi aprovado pelo filhote! 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pimentos Recheados com Bacalhau e Camarão

Se o sol se recusa a brilhar no céu,  então que brilhe na mesa!
Ingredientes:
4 pimentos de cores variadas;
400 g de bacalhau demolhado desfiado;
200 g camarão descascado;
3 ovos;
1 cebola grande;
4 dentes de alho;
1 folha de louro;
coentros;
azeite q.b.
queijo ralado q.b.
sal e pimenta.
Execução:
Cortar uma tampa aos pimentos, retirar as sementes e partes brancas. Salpicar com um pouco de sal e levar a assar em forno, pré aquecido a 180º, até que os pimentos estejam cozinhados, cerca de 30 minutos.
Picar a cebola e os dentes de alho e levar ao lume com o azeite e a folha de louro, refogar levemente até a cebola estar macia. Juntar o bacalhau desfiado e deixar cozinhar. 
Adicionar o camarão, temperar a gosto com sal e pimenta moída na hora.
Picar os coentros e misturar bem com os restantes ingredientes.
Bater levemente os ovos e envolver.
Rechear os pimentos, cobrir com um pouco de queijo ralado e colocar novamente no forno o tempo suficiente para que o queijo derreta.
Ao escolher os pimentos procure os que se equilibram, caso contrário vai ter a tarefa de os colocar em pé no tabuleiro dificultada!
Acompanhei com couscous de legumes.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tarte Invertida de Tomates Recheados

Enchem-nos os olhos com a sua linda cor!
Enchem-nos a boca com o seu maravilhoso sabor!
Não os dispenso o ano inteiro, mas é no verão que se tornam verdadeiros reis na cozinha.


Com esta receita participo no desafio do Cinco Quartos de Laranja intitulado "Uma receita com Sabor do Ano".  Usei alho granulado "Sul Douro" produto Sabor do Ano.


Ingredientes:
1 base de massa folhada circular;
7 tomates cacho,  maduros e firmes;
oregão q.b.
alho granulado q.b. 
14 folhas de manjerição;
200 g de bacon em pedaços;
50 g de folhas de espinafre;
200 g de queijo ralado (usei queijo da ilha e 4 queijos);
azeite q.b.
flor de sal q.b.
folhas de oregãos para decorar (opcional).


Execução:
Cortar os tomates em metades e retirar o "miolo", tendo o cuidado de não os romper.
Cobrir  uma forma para tarte com a folha de papel vegetal que acondiciona a massa folhada. Dispor sobre esta as metades de tomates, salpicar com oregãos e  alho granulado. Colocar em cada uma folhas de manjericão.
Misturar as folhas de espinafres com um pouco de  queijo ralado, o bacon e um fio de azeite. Temperar com  flor de sal.
Rechear os tomates.


Cobrir os tomates recheados com a massa folhada,  com um garfo pica-la um pouco.


Levar ao forno, pré aquecido a 180º, durante cerca de 30 minutos.
Inverter a tarte sobre um prato, se necessário escorrer o excesso de suco que o tomate liberta. Preencher os intervalos que se formaram entre os tomates e o bordo à volta com queijo ralado e voltar a colocar no forno, só o tempo necessário para derreter o queijo.
Decorar com folhas de oregãos frescos.


Servir quentinha, como entrada ou mesmo como prato principal.


Gosto imenso de tomates e se forem da "horta" então melhor ainda.


Os primeiros tomates cacho cereja, que plantei em vasos, começam a amadurecer!