Nunca a vira, nem mesmo de relance, mas já ouvira falar tanto dela que parecia-lhe conhece-la tão bem!
Sabia súbitas e nada subtis as suas mudanças de humor e birras de menina mimada, que ele, em pensamento, acarinhava. Sabia-a doce e tão perfumada, sorriso rasgado e olhar de sol raiado.
Certo dia decidiu, iria ao seu encontro, precisava de a ver, porque naquele momento não chegava só de sonhos viver.
Poderia-se achar que ela dele iria escarnecer, mas a Primavera é uma jovem sensível e de bom coração. Foi atenciosa, até mesmo carinhosa, não desprezou aquele amor do Outono, puro e genuíno, conseguiu ler-lhe nos olhos o sorriso de menino.
O dias andam cinzentos, frescos, chuvosos, por isso apeteceu-me um bolo de outono na primavera! O apetite foi tal que nem o desejo de o fotografar venceu a vontade de o devorar...
- Ainda bem, dizia o meu marido - havia de ser sempre assim! Depois fazes outra vez!
Um bolo de amêndoas e nozes, que adaptei de uma receita que me foi dada por uma boa amiga (obrigada Ana Cristina). Há quem lhe chame bolo "Russo", não descobri porquê, diz-se ser uma receita bem antiga!
É bastante parecido com o Bolo de Noz, com a vantagem de levar menos ovos.
Juntei-lhe uma cobertura crocante, com os mesmos frutos secos e algumas notas de outros sabores.
Por se tratar de uma massa muito fofa não me atrevi a colocar logo de inicio o crocante. Coloquei-o quando o bolo já estava parcialmente cozido, assim não corri o risco de ser "engolido" pela massa!
Usei uma forma com chaminé, sem fundo amovível, por isso ao desenformar cobri o bolo com um pano, algum crocante caiu depois voltei-o a colocar no sitio. Numa próxima vez vou fazer noutro tipo de forma (preciso de mais formas).
O Outono, mesmo "entradote" tem lá os seus encantos! A Primavera, que adora ser alvo de atenção, não rejeita um galanteio, lá isso não!
Enquanto o fotografava várias foram as visitas que vieram ao cheiro...
Onde está?
Onde se meteu?
Ainda agora estava aqui!






