sexta-feira, 31 de julho de 2015

Flores de Abóbora Recheadas

Olhei para ti e foi como ver um pedacinho de sol beijando a terra.
És tão linda e delicada, lembras-me as asas de uma fada.
Pudicícia sem igual... casta, inocente e recatada, tens a inocência de menina que deseja ser mimada.
Tão raro é poder ver-te em todo o teu esplendor, porque te escondes de mim meu amor?



Uma excentricidade, assim podemos chamar a esta receita! Não porque seja difícil de executar é até bastante simples, mas porque conseguir as flores não é tarefa fácil. A melhor forma é semear abóboras ou curgetes. Então e quem não tem horta?
Pode fazê-lo num vaso grandinho, usando terra fertilizada com compósito (ou estrume orgÃnico) e muita água. O meu pé  de abóbora cresce num pequeno canteiro e até já tem um fruto a desenvolver, mimo-o todos os dias! Tive sorte porque tem dado imensas flores mas, mesmo assim, conseguir juntar o número suficiente requereu colher 3 dias seguidos, preservando-as num saco hermético, ligeiramente humedecidas e colocadas no frigorifico. 




Estas jóias cor de sol florescem pela manhã e permanecem abertas por um período muito curto.
Só para terem uma ideia, deixei uma flor sem colher para usar na foto final e quando terminei de confecionar a receita e flor já tinha fechado! 



Nunca tinha feito, nem comido este petisco, mas depois de ver tantas receitas pela net tinha imensa vontade de experimentar, embora estivesse um pouco cética quanto ao resultado final.

Sabendo que a origem deste prato é a Itália e que também faz parte da gastronomia grega, senti-me mais confiante no resultado.




Foi uma boa surpresa porque de facto é muito bom. Claro que o recheio é muito importante, por isso resolvi apostar numa combinação de sabores que já conhecia bem, com poucos ingredientes, porque quase sempre o mais simples é mesmo o melhor. 



Mesmo nas tarefas mais simples não dispenso o auxílio das minhas "ferramentas" da Borner.  O ralador que vêem na imagem é muito versátil, usei-o para ralar o queijo. Faz uns fios maravilhosos com a cenoura, beterraba, nabo, cugete, etc. Sinto-me uma felizarda por ter esta fantástica empresa com parceira do blogue. Muito obrigada Maria Pereira.


Flores de Abóbora Recheadas

Ingredientes:

6 a 8 flores de abóbora (ou cugete);
250 g de queijo Mascarpone (queijo creme ou Ricotta):
50 g de presunto;
50 g de queijo Parmesão;
1 ramo de manjericão;
pimenta preta de moinho q.b.
1 pitada de flor de sal (Necton);
óleo para fritar q.b.

Tempura:

65 g de farinha para tempura (ou farinha de trigo);
80 ml de cerveja gelada;
sal marinhpo q.b.




Execução:

Lave cuidadosamente as flores, coloque sobre papel absorvente e exugue-as.
Retire o estame cuidadosamente, se a tarefa se tornar difícil faça um corte longitudinal na flor.
Rale o queijo Parmesão, misture-o com o queijo Mascarpone, o presunto e o manjericão picados. Tempere o recheio com um pouco de pimenta preta, acabada de moer, e uma pitada de flor de sal.
Recheie as flores, usando um saco de pasteleiro ou uma colher pequena. Feche a flor sobrepondo  os bordos (caso a tenha cortado) e torcendo a extremidade como se fosse um rebuçado.
Prepare o polme misturando bem a farinha com a cerveja, tempere com sal.
Mergulhe uma flor de cada vez no polme e escorra bem.
Leve a fritar em óleo bem quente, tenha atenção porque ficam douradas muito rapidamente.
Depois de fritas coloque as flores sobre papel absorvente para retirar o excesso de gordura.
Sirva-as de seguida.



Podem-se rechear as flores sem as cortar, para isso coloca-se o recheio num saco de pasteleiro e introduz-se, com cuidado, no interior das mesmas. Eu optei pela solução mas fácil uma vez que as flores de abóbora são bastante maiores do que as da cugete,  por issotorna-se mais difícil alcançar o estame sem as danificar. Apesar disso não abriram ao fritar.




Preparei uma tempura bastante liquída, não queria que as flores ficassem com uma camada grossa que as ocultasse. Usei uma variedade de farinha especial para tempura que comprei em Espanha. Julgo que se consegue encontrar por cá nas lojas de produtos asiáticos. Pode ser substituída por farinha de trigo normal sem problemas, mas a consistência deve ser  semelhante a um iogurte liquido.
Também deve ficar muito bom com panko (pão duro ralado). 







Gostei imenso deste petisco! Vou começar a guardar novamente flores para poder repetir.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Bolo de Arroz

A vida é feita de momentos, diz-se muitas vezes que a felicidade não existe, mas sim momentos felizes. Umas vezes felizes ou nem tanto, vamos armazenado-os sob a forma de recordações.
As recordações boas são os nossos tesouros, guardam-se como preciosidades. As recordações que não o são, essas podemos  procurar modifica-las, substitui-las por outras melhores, mais fortes! Bem sei que nem sempre é possível, mas às vezes é!


Há tempos o  Célio, do blog "Sweetgula", contou-nos como os bolos de arroz fizeram parte da sua infância e que lhe trazem gratas recordações. Não pude deixar de recordar como também fizeram parte da minha... 
Quando era garota, e durante bastantes anos, tive problemas de fígado, por isso andava sempre de dieta. Nas visitas à pastelaria o único bolo que me deixavam comer era o de arroz, "come um bolinho de arroz, que este não te faz mal". Ora o que me apetecia, para onde os olhos corriam, era para os bolos com chocolate, chantilly, ou creme de alguma espécie, mas não podia ser! Só mesmo aquele "sequinho". Não admira que o tivesse vindo a detestar, nunca está entre as minhas escolhas! Venha dai um bom Duchesse, cheiinho de chantilly, Éclairs com coberturas e interiores voluptuosos, uma bela Bola de Berlim,  um Palmier encoberto de doce de ovos, um Moka a transbordar de creme com sabor a café... esses sim!


Algum tempo depois do Célio me ter encantado com os seus delicados bolinhos, apareceram à minha frente uns belos "Bolos de Arroz" no Faz e Come, do Rui Ribeiro, e não é que fiquei cheia de vontade de os fazer também! Foram para a lista de espera até que surgisse uma oportunidade de comprar os aros. 
Há dias um pacote de farinha de arroz, a ameaçar perder a validade chamou por mim e deu-me um raspanete! Realmente não estamos em maré de desperdício e por isso meti mãos à obra e lá experimentei fazer o tal bolo, só que num formato maior. 
Ora deu-se a casualidade do Célio andar em "obras" lá pela casa dele (que por sinal ficaram excelentes), como só "entravam pessoas autorizadas" tive que ir a outras paragens! Rumei ao blog do Rui e de lá trouxe a receita comigo. Contei-lhe que tinha feito uma receita dele ao que me disse estar "ansioso para ver"... ups! Mesmo não estando nos meus planos fui fotografar, mas o dia estava a chegar ao fim e a luz já não era a melhor, nem a inspiração. Resumindo as fotos ficaram uma porcaria! Não me atreveria a dececionar o chefe, até porque ele é um doce de pessoa. Então repeti a dose, assim acabou-se o trauma, ahahah!
Cá está Rui, o teu bolo de arroz em formato gigante!


Bolo de Arroz 
(adaptado do blog Faz e Come)


Ingredientes:

150 g de açúcar;
100 g de manteiga (à temperatura ambiente);
125 g de farinha de arroz;
75 g de farinha de trigo;
4 ovos M;
1 colher de chá de fermento em pó;
1 vagem de baunilha (ou 1 colher de chá de aroma de baunilha);
6 colheres de café de açúcar baunilhado.


Execução:

Pré-aqueça o forno a 175º C.
Unte a forma e forre o fundo com papel vegetal. 
Numa tigela misture as farinhas e o fermento.
Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme fofo. 
Continue a bater e adicione os ovos, um de cada vez. Assegure-se que está bem incorporado antes de introduzir o ovo seguinte. 
Abra a baunilha ao meio e raspe bem o interior, junte ao creme (ou adicione o aroma).
Reduza a velocidade da batedeira e incorpore as farinhas e o fermento, gradualmente. 
Verta a massa na forma e espalhe por cima o açúcar baunilhado.
Leve a forno cerca de 35 minutos, faça o teste do palito.
Desenforme depois de arrefecer um pouco.


Nota: Pode substituir a baunilha por raspa de laranja ou limão.


Dá uma imensa vontade de lhe arrancar a camada crocante de açúcar, sem dúvida a melhor parte! Tão boa que agora viro a fatia de "pernas para o ar" e deixo-a para o final! 



Acho que de agora em diante, quando vir "Bolos de Arroz", só me vou lembrar do delicioso cheiro que espalharam pela casa, do interior fino e suave, do sabor a baunilha, das belas imagens do Célio e do Rui, deste post, da vontade de fazer mais vezes (quem sabe outras versões)... só me vou lembrar de coisas boas!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Tortilha de Batata com Chouriço

- Vamos repetir?
- Outra vez a mesma coisa?
- Sim... hum! É tão bom!
- Não preferes variar?
- Variar para quê? 
Assim sabe tão bem!




O sol desguia-me, a praia chama-me,  o sofá abraça-me, os filmes prendem-me... e a cozinha essa anda um pouco ciumenta e carrancuda. Coitada, sente-se posta de lado!
O blogue? Ui! Esse nem se fala! Está ressentido, estranha a falta de atenção!




Acontece que para além de andar com pouca vontade de cozinhar, tem-me apetecido revisitar algumas receitas. É que a "ânsia" de ter coisas novas para aqui colocar, acaba por não deixar grande hipótese à repetição! 
Andam assim os dias, cozinha-se, de preferência bem depressinha, senta-se à mesa e come-se descontraidamente. Sem esperas, sem demoras, sem fotos, sem pensar em nada mais que não seja o prazer de saborear algo que me saiu das mãos e saltou para a mesa.
Entre uma e outra comida rápida, fiz esta tortilha... foi então que a olhei, a máquina fotográfica e ela sorria para mim! Está bem, não resisto a esse sorriso cativante... lá lhe peguei!
A receita não tem nada de especial, é bem simples. O gosto pelas tortilhas nasceu de tantas vezes que vamos até à vizinha Espanha, onde em qualquer esplanada se podem provar, muitas vezes é servida como "pincho" junto com uma bebida. Adoro esta forma de tapear que por cá, infelizmente, não acontece. Em alguns locais vão trazendo mais que um "pincho" (um petisco pequenino), claro que as bebidas se pagam um pouco mais caras, mas vale a pena.



Tortilha de Batata com Chouriço

800 g de batatas para fritar;
2 cebolas médias;
8 ovos;
1 chouriço de carne (usei Fumeiro D'Avó Maria);
azeite q.b.
sal marinho q.b.



Execução:

Corte as batatas e as cebolas em rodelas para fritar.
Corte o chouriço também em rodelas.
Numa frigideira grande aqueça o azeite, comece a fritar uma parte das batatas, mais ou menos a meio da fritura junte metade da cebola e do chouriço, a cebola e o chouriço devem fritar com as batatas, assim estas ficam mais saborosas. Repita a operação com os restantes ingredientes.
Bata ligeiramente os ovos e verta-os sobre as batatas, a cebola e o chouriço (já fritos) tempere com o sal. Misture tudo para envolver bem os ovos com os restantes ingredientes.
Verta sobre a frigideira  e leva ao lume, dê algumas voltas ao conteúdo para que vá cozinhando. Depois pressione um pouco para que tudo se acomode e agregue. Deixe fritar de um lado, em lume brando, descole dos lados e abane a frigideira, quando a tortilha se soltar está na hora de a virar. 
Usando um prato grande vire-a, volte a coloca-la na frigideira, com um garfo procure dobrar o bordo para baixo de forma a que fique arredondado.
Está pronta quando vemos que se formam pequenas bolhas e gordura na lateral.



Está é uma receita muito simples e fácil, porém deixo algumas dicas que podem ajudar a conseguir um bom resultado.

Notas: 
  • Não reduza a quantidade de ovos para evitar que fiquei demasiado seca;
  • Certifique-se que usa uma frigideira antiaderente para que seja fácil virar a tortilha;
  • Prefira azeite extra virgem, mas caso não goste pode substitui-lo por óleo de girassol;
  • As batatas (e restantes ingredientes) depois de fritas são colocadas na taça em que se bateram os ovos e bem envolvidos nestes. Este passo é importante para que as batatas se misturem bem com o ovo;
  • A versão original da Tortilha Espanhola não leva leite, nem natas, nem farinha.



A tortilha é excelente para qualquer ocasião, pode leva-la consigo na marmita, para a praia, num piquenique, acompanhe com uma salada e é uma refeição completa. No dia seguinte continua bem boa.




Este é um dos prazeres que gosto de repetir, tão bom! Pode-se variar e acrescentar chouriço, presunto, bacon... também é muito boa com bacalhau.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Bolo de Milho com Alfazema

Tens o aroma do amanhecer, que vento espalha pelo ar abrindo sorrisos ao seu passar. Tens também a doce fragância do verão, alfazema, raio de sol, mel fragante, suculento melão.
Cheiras tão bem a pôr de sol, eflúvio do entardecer, promessa de romance e de infinito prazer.
És essência de céu estrelado, rasto de estrela cadente, olor que me embriaga de emoção e me faz perder a razão. É sempre assim quando estou contigo, esse teu cheiro é mesmo um perigo! 



Vivemos rodeados de cheiros, cheiros que evocam memórias, cheiros que nos transportam no tempo, cheiros que nos enamoram!
Adorava conhecer alguns dos segredos dos perfumistas e criar perfumes florais, cítricos, amadeirados e com especiarias... os orientais! 
A alfazema, ou lavanda, evoca nos meus sentido o perfume. É daqueles cheirinhos que lembram as tardes quentes  de verão. Gosto de a guardar, voltar a ela sempre que me apetece, gosto dela na jarra da mesa de cabeceira, de sentir a sua fragância quando fecho os olhos, sinto que me acalma e ajuda a relaxar. Gosto de usa-la sob a forma de sabonete, espalha-la pela pele. Guardo-a pelas gavetas em pequenos sacos... talvéz por isso nunca tinha tentado cozinhar com ela. 
Uma vez por outra, mordiscava uma flor ao passar pelo canteiro e tentava imaginar como combinar o seu intenso e balsâmico olor com uma receita doce ou salgada. Este bolinho foi a primeira experiência e fiquei encantada com o resultado, por isso é natural que venham a surgir novas descobertas.


Vi uma receita de um bolo com farinha de milho numa rubrica da Espiga, na revista Teleculinária  Especial de Julho, n.º 1890, que me chamou à atenção e fiquei com imensa vontade de o experimentar. 
Fiz-lhe algumas alterações e fui pesando e medindo os ingredientes com as chávenas medida, pois desta forma numa próxima vez tenho o trabalho simplificado (gosto muito mais de usar as chávenas do que a balança, é mais rápido). Troquei o açúcar refinado por açúcar amarelo e diminui um pouco à sua quantidade (ainda se pode diminuir um pouco mais), diminui também o óleo. Troquei a erva-doce pela alfazema e juntei-lhe uma cobertura muito simples.



Bolo de Milho com Alfazema 

Ingredientes:

1 chávena de farinha de trigo T55 (150 g);
1 chávena de farinha de milho amarela e fina (150 g);
1 + 1/2 chávena de açúcar amarelo (250 g);
4 ovos L;
200 ml de sumo de laranja natural (sem coar);
1/2 chávena de óleo de girassol (125 ml);
1 colher de sopa de fermento em pó;
1 colher de chá de alfazema seca.

Cobertura

2 iogurtes gregos naturais, sem açúcar;
mel q.b.
flores de alfazema q.b.



Execução:

Pré-aqueça o forno a 180º C.
Unte bem a forma e polvilhe com farinha (com o  spray para untar da Espiga é num instante que fica pronta).
Numa tigela misture as farinhas com o fermento e a alfazema.
Esprema o sumo de laranja, deixe ficar os pedacinhos de polpa.
Bata os ovos inteiros com o açúcar até obter um creme fofo e volumoso.
Junte o sumo de laranja e o óleo.
Adicione a mistura das farinhas aos pouco e vá batendo sem parar.
Verta na forma e leve ao forno, a 180º C, durante cerca de 30 a 35 minutos, faça o teste do palito.
Deixe arrefecer um pouco e desenforme.
Depois de completamente frio cobra com o iogurte e verta sobre este, em fio, o mel.
Decore com as flores de alfazema.




Notas:  
  • Pode usar em substituição da alfazema outra erva aromática ou especiaria, como por exemplo, erva doce, gengibre em pó, cardamomo. Pode ainda recorrer à raspa de laranja ou  de limão. A essência de baunilha também combina bem;
  • Em vez de sumo de laranja pode usar-se leite na mesma quantidade com uma colher de sopa de sumo de limão (deixando repousar uns minutos);
  • Se quiser substitua o iogurte grego da cobertura por chantilly;
  • Transforme um pouco o bolo juntando mirtilos ou framboesas à massa no final, mas tenha em atenção que os frutos vão ao fundo, pois a massa muito fluida, sendo melhor neste caso caramelizar a forma ou forra-la com papel vegetal.
  • Junte às flores pequenas bagas ou frutos dos bosques;
  • Pode transforar esta receita em pequenos queques e levar consigo para onde quer que vá.



Gostei imenso da textura deste bolo, já o repeti 2 vezes, com algumas das alterações que refiro acima. Levei-o para partilhar com as colegas da escola e foi um sucesso!



Estou há tanto tempo aqui a olhar para ele que não resisto a ir fazê-lo mais uma vez, ihihihih!


sábado, 11 de julho de 2015

Bolo de Mirtilos

Quero acordar pela manhã, já tarde e sem despertador, sem pressa para nada, sem ar sofredor. Vestir o bikini, ou roupa bem leve, chinelo no pé e nada que aperte.
Quero encher-me de sol e de maresia, cobrir-me de areia e mergulhar na água... não muito fria. Comer na rua, na varanda ou na esplanada... sabe tão bom estar lá sentada!
Dar longos passeios à beira mar,  abrir a ementa e escolher o jantar.
Ver o pôr do sol com um gelado na mão e dançar na rua ao som de uma bela canção. 
Depois, já bem cansada, na cama cair e dormir sem o pijama vestir.  


O meu apetite pelo verão é insaciável, nunca me farto, quero sempre mais!
É um tempo tão alegre, claro, quente e farto. Farto de cores e sabores, a variedade de frutas não tem igual em nenhuma outra estação. 


Estas bolinhas escuras encantam-me desde o do seu inicio, tão brancas e delicadas as suas pequenas flores que parece impossível transformarem-se num fruto de cor tão oposta!



Tempo quente pede coisas leves e refrescantes e foi assim que juntei a um bolo normalíssimo, gelatina e os mirtilos de que tanto gosto. Estes são produzidos de forma natural, uma cultura biológica da "Bioprodutores" dos quais me tornei cliente assídua.
Quando estava a rechea-lo achei que estava tão bonitinho que nem me apetecia cobrir com o restante bolo, mas lá teve que ser!


Bolo de Mirtilos

Ingredientes:

Bolo


200 g de farinha;
150 g de açúcar;
100 g de manteiga;
5 ovos L;
raspa de um limão;
2 colheres de chá de fermento em pó;
1/2 chávena de mirtilos (frescos ou congelados).

Recheio

1 saqueta de gelatina de mirtilo;

200 ml de natas para bater;
2 colheres de sopa de açúcar;
1 colher de sopa de sumo de limão;
1/2 chávena de mirtilos.

Cobertura

chantilly q.b.
1 chávena de mirtilos;
gelatina de mirtilo (para regar).



Execução:

Comece por preparar a gelatina de acordo com as instruções da embalagem.
Reserve 1/3 fora do frio e leve a restante ao frigorífico (ou se estiver compressa ao congelador) até solidificar.
Pré-aqueça o forno a 180 º C.
Prepare um forma circular untando-a com manteiga e polvilhando com farinha.
Bata os ovos até ficarem volumosos e aos poucos vá adicionando o açúcar, sem parar de bater.
Peneire a farinha, misture o fermento e envolva no preparado anterior.
Derreta a manteiga e misture na massa, envolva bem.
Junte os mirtilos e mexa com cuidado evitando que se desfaçam.
Leve a forno durante 30 a 35 minutos, faça o teste do palito.
Desenforme depois de arrefecer um pouco.
Corte o bolo em duas rodelas e deixe arrefecer bem

Recheio


Corte a gelatina em pequenos cubos.
Prepare o chantilly batendo as natas bem frias com o açúcar e o sumo de limão.
Cubra uma das metades do bolo com  metade do chantilly.
Disponha os cubos de gelatina e espalhe alguns mirtilos frescos.
Cubra com a outra medade do bolo.

Cobertura

Despeje o restante chantilly sobre o bolo.
Disponha os mirtilos amontoando-os ao centro (como vê na foto).
Rege com a gelatina que reservou fora do frio, caso tenha solidificado coloque-a uns segundos no micro-ondas a derreter, mas não permita que fique quente ou terá que a deixar arrefecer de novo.
Leve o bolo ao frio ate que a gelatina com que o regou solidifique.




Uma dica:

coloque o prato um pouco antes de montar o bolo no congelador. Assim quando verter a gelatina sobre o bolo ao entrar em contacto com o prato gelado solidifica de imediato e não é absorvida pelo bolo.





Um bolo excelente para dias quentes, mesmo bom para partilhar com amigos.

sábado, 13 de junho de 2015

Bolo Mousse de Café

Batem à porta com violência.
- Bom dia o que deseja?
- Quero saber quem é o dono desta casa...
- Está a falar com o próprio.
- Então é o senhor que diz ser o dono?
- Sim, sou eu!
- Prove que é o dono, quem me garante que é?
- Essa agora! Moro nesta casa com a minha família há mais de 20 anos! Fui eu mesmo que a construi, com estas mãos!
- Há mais de 20 anos? Seu egoísta! Não acha isso tempo demais? Ponha-se fora daqui, dê o lugar a outros que precisam de casa e não têm!  Não sabe partilhar? Que falta de humanidade! Cresça torne-se gente! Faça outra já que sabe fazer casas tão bem, e seja original que como esta há muitas por ai, seu interesseiro!



Hoje vou falar-vos um pouco sobre COPYRIGHT, DIREITOS DE AUTOR e especialmente de RESPEITO pelo trabalho alheio.
Procurarei ainda alertar para o quanto se desconhece sobre o uso correto de fotos, textos, conteúdos em geral que são publicados em blogues, páginas do facebook, pinterest, sites e afins.
Há quem considere legitimo usar, como bem entende, as fotos estão na internet e que aparecem nas pesquisas do google, porque uma vez publicadas são propriedade de todos! Ora isto não é verdade! 
Há quem ache se pode usar as fotos e/ou textos desde que coloque o link para a página do autor (eu também achava), mais uma vez assim não é, ou melhor apenas o é se este o consentir!
Sempre que no Pinterest partilhamos fotos, afixamos pins estamos sugeitos a cometer uma infração porque não sabemos na maior parte das vezes a origens e as voltas que já levaram as fotos em questão.
O uso e cópia não só são ilegais, como podem suscitar uma série de graves problemas, incluindo processos penais com direito a indemenizações!
Acham que estou a exagerar?
Vejam o que aconteceu com à  escritora e blogger Nori Loren, que num dos seus posts nos conta a sua experiência e alerta para os problemas que podem advir do uso incorreto da propriedade intelectual de outros.



Acredito que o conhecimento é a melhor forma de combater a ignorância, como até sou docente de profissão, vou deixar aqui algumas dicas que considero pertinentes sobre o assunto e pelas quais me procuro rejer:
  • Parta sempre do princípio que as fotos que encontra na internet se encontram protegidas por copyrigth. Se pretende usar uma foto que não é sua, peça autorização primeiro ao seu autor;
  • Ainda que as fotos não estejam protegidas por copyright, devemos respeito ao seu autor, continuam a ter direitos de autor, por isso e a não ser que haja autorização expressa no blog, ou site onde se encontram, não as use;
  • Procure fotos em sites de uso livre, como por exemplo  o Wikimedia Common e saiba que mesmo estas, estão sujeitas a algumas regras de utilização;
  • Hoje em dia é muito fácil tirar fotos, praticamente todos têm telemóveis que o permitem, então tire as suas e espalhe a sua visão artística do mundo. desta forma tem a certeza de não vir a ter problemas;
  • Se tem blog ou página no facebook e fez uma receita de outro blogger coloque o link para a página onde se inspirou e publique a sua versão usando as suas fotos, mostrando a sua experiência;
  • Caso a receita tenha sido retirada de um livro, revista, programa de TV... não se esqueça de cita-lo e dizer quem é o seu autor original;
  • Nunca copie e "cole" uma receita de outra pessoa na totalidade (texto e fotos) a não ser que tenha autorização do seu autor para o fazer. Eu, por exemplo, autorizei a página do facebook Receitas de Portugal  a fazê-lo porque são extremamente corretos e têm um papel importante na divulgação dos blogues de culinária portugueses;
  • Não encare o trabalho dos outros de forma leviana, mesmo que veja que não comercializam nem auferem rendimentos do mesmo, (como é o meu caso), e pense que não está a prejudicar ninguém. O que vê dá trabalho, são-lhe dedicadas muitas horas em detrimento de outras coisas, e é partilhado de forma totalmente gratuita;
  • Se pretende guardar uma receita para uso pessoal no seu mural de facebook ou partilha-la com os amigos, faço-o da forma correta usando as ferramentas adequadas. Coloque sempre o link ao local de origem, use o botão "PARTILHAR" que preserva e origem da página autora, ou em alternativa copie o link da barra de endereço e cole, assim terá uma miniatura com a foto e o titulo da receita/ artigo ou video, bem como o link.
Não é difícil agir com correção.


Vamos à receita de hoje? 
É uma originalidade? 
Certamente que não!
Já foi feita antes por alguém?
Claro que sim, por imensas pessoas no mundo inteiro, grandes chefes internacionais, pessoas com formação académica em culinária, donas de casa sem formação alguma na área mas com muito talento... e agora foi feita por mim!
Vou citar alguma obra ou cozinheiro famoso?
Faço-o muitas vezes, mas não será o caso desta receita, simplesmente porque não recorri a nenhum livro, revista ou similar. Fiz a mousse de chocolate de sempre, a que já sei de cor e apenas modifiquei a receita juntando café e gelatina para a poder enformar, colocando uma base de bolacha e mais algumas coisinhas!
Quem é o autor original da mousse de chocolate... o 1.º no mundo que a fez?
Vocês sabem?
Eu não! 
Sei que existem para cima de 1 milhão de versões diferentes, variações de todo o tipo, sabores, cores e formatos, adaptações com frutas... e tantas outras que ainda virão!
Não tenho a pretensão de ser original, na verdade não tenho nehum tipo pretensão! 
Hoje deixo-vos esta mousse adaptada para sabor a café e enformada para se transformar num bolo. Foi com ele que festejamos o aniversário do meu filho em Abril.


Bolo Mousse de Café

Ingredientes:

Base

200 g de bolachas de água e sal;
2 colheres de sopa de café solúvel em pó;
125 ml de óleo de coco (Myprotein);
4 colheres de sopa de leite condensado;
2 colheres de sopa de licor de café (Chocolicor).

Mousse de Café

200 g de chocolate em tablete 70% cacau;
1 colher de chá de manteiga;
10 colheres de chá de café solúvel em pó;
75 ml de água fria;
1 lata de leite condensado (menos as 4 colheres de sopa usadas na base);
50 g de açúcar;
6 ovos;
6 folhas de gelatina.

Gelatina de Licor de Café

1 folha de gelatina;
3 colheres de sopa de licor de café.

Creme Moka

75g de manteiga;
1/2 ovo;
2 colheres de chá de café solúvel em pó;
2 colheres de chá de água fria;
50 g de açúcar.

Ainda

Grãos de café para decorar;
Ao centro crocante com bolacha, chocolate e café triturados grosseiramente.




Execução:

Base

Triture as bolachas até obter migalhas tipo areia.
Dissolva o café no leite condensado e junte às migalhas de bolacha.
Adicione o oleo de coco e  o licor de café. Misture bem todos os ingredientes.
Disponha sobre um prato de servir o aro circular. Cubra as laterias do aro com folhas de acetato para ser mais fácil desenformar sem estragar a lateral.
Forre o fundo com a base de bolacha preparada, precionando um pouco, mas sem compactar demaiado. Reserve.

Mousse de Café (para enformar)

Parta o chocolate em pedaços e leve a derreter com a manteiga no micro-ondas durante 1 minuto.
Retire e mexa até que o chocolate se dissolva totalmente.
Demolhe as folhas de gelatina e derreta no micro-ondas sem deixar ferver.
Dissolva o café na água fria, junte a gelatina e mexa bem.
Bata as gemas com o açúcar.
Junte a gemada o chocolate derretido e a mistura de café e gelatina. Envolva muito bem todos os ingredientes.
Bata as claras em castelo. Envolva no preparado anterior.
Verta sobre a base de bolacha e leve ao frio  até prender bem (deixei durante a noite).

Gelatina de Licor de Café

Depois de solidificar prepare a gelatina de licor, derretendo a folha de gelatina e misturando-a com o licor. Verta sobre a mousse e sacuda ligeiramente para que se espalhe sobre toda a sua superfície. Volte a colocar no frio.

Creme Moka

Bata a manteiga e junte aos poucos o açúcar, sem parar de bater.
Bata o ovo, rejeite metade (pode congelar) e incorpore a outra parte.
Dissolva o café solúvel com 2 colheres de chá de água fria.
Junte o café e bata bem.

Montagem

Retire o aro metálico com cuidado.
Aqueça uma faca e lentamente vá rodando a faca sobre a lateral do bolo ao mesmo tempo que descola as folhas de acetato.
Coloque o creme moka numa seringa de pasteleiro com um bico estrelado e vá decorando o bolo.
Ao centro coloque um pouco de crocante.
Finalize com alguns grãos de café.




Gostam de chocolate?
E de café, gostam?
Provem lá...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Risotto da Alheira com Legumes de Primavera

As tardes espreguiçam-se langidamente e vão chegando cada vez mais longe, empurrando noite.
As flores invadem todos os recantos, inundam o ar com o seu perfume e pintam a paisagem de mil cores. Nos raios de sol penduram-se os frutos maduros e as borboletas executam rebuscadas piruetas  em espirais de paixão.
A brisa encarrega-se de espalhar a Primavera por todos os recantos com o seu sopro perfumado e os passarinhos cantam-lhe canções de amor. Então ela dá a mão ao Verão e deixa-se levar numa onda de encantamento!


Não sei o que se passa com as estações, ontem começou a primavera, mas de repente é verão! As flores desabrucharam  e depressa murcharam com tanto calor,  tudo na natureza parece correr!  Não me intrepretem mal, eu adoro o verão, mas temo que tendo ele chegado tão cedo, se vá embora antes que chegem as minhas férias!
Vou então teimando com a primavera, para que ele marque a sua posição e não se deixe "abafar" pelo caloroso verão!


Ingredientes (4 doses):

250 g de arroz arbóreo;
1 cebola média;
2 dentes de alho;
100 ml de vinho branco maduro;
3 alheiras, cerca de 700 g (Fumeiro d'avó Maria);
3 colheres de sopa de manteiga;
azeite q.b.
1,5 l de caldo de legumes;
3 colheres de sopa de queijo cremoso magro (Laticínios das Marinhas);
1 chávena de legumes variados (ervilhas, favas baby, ervilhas tortas, espigos de couve);
1 colher de chá de tomilho fresco;
pimenta preta de moinho q.b.
sal q.b.
queijo parmesão ralado para polvilhar.


Execução:

Retire a pele às alheiras e leve-as ao lume numa frigideira até ficarem tostadas.
Estale a cebola e os dentes de alho, finamente picados, com azeite e metade da manteiga
Junte o arroz e misture bem com o azeite e a manteiga, deixe fritar até ficar translucido.
Adicione o vinho branco mexa até evaporar.
Vá acrescentando o caldo de legumes (a ferver) aos poucos e mexa entre cada nova adição de forma a que o arroz vá soltando a sua goma.
Junte metade das alheiras e os legumes.
Tempere com sal e pimenta acabada de moer.
Continue a mexer e a adicionar caldo até que o arroz e os legumes estejam cozidos.
Por fim misture a restante manteiga, o queijo creme e o tomilho fresco.
Sirva o risotto com rodelas de alheira.



As alheiras que usei neste risotto foram oferta do Fumeiro da Avó Maria. Têm o sabor do fumeiro tradicional e aquele cheirinho fantástico a fumo. 



Um prato muito simples mas cheio de sabor, um risotto à portuguesa!