sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pão Campestre com Alheira e Queijo

Ela fora feita com uma costela dele! Não seria propriamente uma costela, é mais acertado dizer que tinha dele o miolo, a sua parte mais suave e delicada. Isso fazia deles um par muito especial e não pensem que por partilharem algo tão intimo se tornavam semelhantes, nada disso, pelo contrário! Completavam-se na perfeição, por isso na vida caminhavam sempre de mão dada.



O pão continua a ser uma aventura, uma constante descoberta!
Adoro experimentar novas combinações, novas farinhas,  fazê-lo simples ou recheado... bem, de preferência recheado, eheheh!
Ao fim de semana, aqui em casa, todos esperam por um pãozinho morno e cheio de boas promessas.
As alheiras que recebi vindas de Trás-os-Montes cheiravam bem ainda dentro da embalagem! Depois de pensar e repensar como as usaria não resisti ao apelo do pão. Bem sei que o pão é um dos ingredientes que as compõem e parece redundante voltar a usa-las com pão, mas a verdade é que pão e alheira é um casamento perfeito!




O Fumeiro d'Avó Maria, situa-se em Sabade - Alfandega da Fé. A D. Lurdes confeciona, de forma artesanal, produtos regionais mantendo a tradição e sabor que lhes são tão carateristicos. Teve a gentileza de me oferecer alguns para que experimentasse. As alheiras são deliciosas, verdadeiramente irresistiveis! Fiz questão  de as  grelhar na brasa e assim manter o costume transmontano.
Há muito tempo que não comia uma alheira tão boa! 
Fazem o envio dos produtos para  todo o pais e até para o estrangeiro, bastando uma mensagem para a sua página no  Facebook, não deixem de experimentar.


Gosto especialmente de alheira com broa, broa de milho e centeio, mas como já há aqui no blog algumas receitas com esse tipo de  broa, optei por uma fazer uma versão um pouco diferente, com farinha de trigo e centeio. Decidi dar-lhe um novo visual, um pão com ar de "festa"!
Tentei que fosse um "pullapart bread", traduzido à letra como "pão para puxar" ou "tirar aos pedaços", havendo dentro de cada pedacinho um pouco de recheio Só que com este tipo de massa não resulta, ao levedar fica tudo muito "colado", não se separa como no pão de trigo. Decidi reformular a receita e rechea-lo em camadas.
As fotos são da 1.ª tentativa, por isso são visiveis as "bolinhas".


Pão Campestre com Alheira e Queijo

Ingredientes:

Pão

250 g de farinha de centeio;
300 g de farinha de trigo T65;
2 ovos M;
300 ml de leite;
1 colher de sopa de azeite;
1 colher de chá de açucar;
6 g de sal;
1 saqueta de fermento de padeiro Fermipan (11g).

Recheio

1 alheira grelhada "Fumeiro da Avó Maria" com 300g;
200 g de queijo flamengo "Cavado - Laticinios das Marinhas";
1  chavena de manjericão fresco;
2 dentes de alho;
2 colheres de sopa de azeite;
tomates mimi chucha q.b.


Execução na máquina de fazer pão:

Coloque o leite tépido, os ovos ligueiramente batidos, o azeite, o açúcar e o sal na cuba da máquina.
Sobreponha as farinhas previamente peneiradas.
Adicione por último o fermento.
Selecione o programa "Massa" e deixe decorrer até ao final.
Retire a pele à alheira grelhada e esfarele.
Corte o queijo em cubos.
Pique o manjericão e o alho, junte ao azeite e misture.
Corte os tomates em metades.
Unte uma forma com um pouco de azeite e salpique com sêmola de milho ou farinha.
Divida a massa de pão em 3 partes iguais.
Coloque a 1.ª parte no fundo da forma e disponha uma camada de alheira, queijo e regue  com 1/3 do molho de mangericão.
Sobreponha a 2ª parte de massa e repeta a distribuição do recheio e molho.
Finalize formando, com a 3.ª parte da massa, pequenas bolas na quais de coloca pedaços de queijo.
Disponha na forma entremeando mais queijo, tomate  e salpicando com o restante molho.
Deixar levedar durante 1 hora num local aquecido.
Leve ao forno, pre-aquecido a 200.º C, durante 35 a 40 minutos.
Retire, deixar arrefecer um pouco.
Desenforme e coloque sobre uma grade até terminar de arrefecer.
Serva decorado com ramos de manjericão e alguns tomates cortados.


Execução tradicional:

Desfaça o fermento num pouco de leite morno com o açucar.
Peneire e misture as farinhas com o sal.
Abra uma cova ao centro das farinhas, junte o leite, os ovos (ligeiramente batidos) e o fermento.
Incorpore a farinha e amasse um pouco.
Deixe levedar durante 1 hora.
Retire a pele à alheira grelhada e esfarele.
Corte o queijo em cubos.
Pique o manjericão e o alho, junte ao azeite e misture.
Corte os tomates em metades.
Unte uma forma com um pouco de azeite e salpique com sêmola de milho ou farinha.
Divida a massa de pão em 3 partes iguais.
Coloque a 1.ª parte no fundo da forma e disponha uma camada de alheira, queijo e regue  com 1/3 do molho de manjericão.
Sobreponha a 2ª parte de massa e repeta a distribuição do recheio e molho.
Finalize formando, com a 3.ª parte da massa, pequenas bolas na quais de coloca pedaços de queijo.
Disponha na forma entremeando mais queijo, tomate  e salpicando com o restante molho.
Deixar levedar durante 1 hora num local aquecido.
Leve ao forno, pre-aquecido a 200.º C, durante 35 a 40 minutos.
Retire, deixar arrefecer um pouco.
Desenforme e coloque sobre uma grade até terminar de arrefecer.
Serva decorado com ramos de manjericão e alguns tomates cortados.


Um pão muito generoso e delicioso, que já fiz 2 vezes e que estou mortinha por repetir!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Scones de Queijo e Agrião com Picante

Domingo vestiu-se depressa na ânsia de sair, queria encontrar-se com o compincha Mar.
Já calçava os sapatos, quando, de repente e sem ser convidada, apareceu a menina Chuva e ele viu subitamente o seu plano mudar! 
Não querendo se indelicado e fazer a desfeita de a mandar embora, lá se conformou, sentaram-se calmamente no sofá. A Chuva veio para ficar, tagarela, não se calou nem por um instante, tinha sempre tanto que contar!



Ultimamente parece que chove sempre aos fins de semana! 
O desejado passeio à beira mar fica sem efeito, não há conversa fiada na esplanada, só apetece o calor da lareira a arder (sim, sim acendi a lareira), o aconchego do sofá e o cheirinho de um prazer morno, acabadinho de sair do forno!


Nem sempre esse prazer pode ser doce, nem precisa, estes scones salgadinhos e com um toque picante são um bom consolo.
Estão cheios de bons ingredientes, que sabem e fazem bem. 



Ingredientes:


80 g de agriões;

100 g de queijo ralado, "Serra da Vila" - Saloio;
200 g de farinha de trigo;
50 g de farinha de trigo sarraceno;
50 g de manteiga (gelada);
150 ml de leite;
1 colher de chá de sumo de limão;
pimenta preta q.b.
1 colher de sopa de sementes de sésamo;
colorau picante q.b.


Produtos de parceiros usados: queijo "Serra da Vila" da Saloio; farinha de trigo sarraceno  Myprotein; sementes de sésamo branco Sementina.


Execução:

Misture o sumo de limão com o leite e deixe repousar uns minutos.
Pique os agriões miudinhos.
Corte a manteiga em cubos pequeninos.
Coloque a farinha numa taça, tempere com o sal e a pimenta preta.
Usando as pontas dos dedos esfarele a manteiga na farinha.
Abra uma cova ao centro e acrescente o leite e o queijo ralado.
Misture, envolvendo os ingredientes, mas sem bater a massa, apenas o suficiente para que fiquem ligados.
Forme um disco sobre uma bancada previamente enfarinhada e usando um aro corte os scones.
Coloque num tabuleiro untado, ou sobre papel vegetal.
Pincele os scones com um pouco de leite.
Misture o colorau picante com as sementes de sésamo e espalhe sobre os scones.
Leve ao forno, pré-aquecido a 180.º C, durante cerca de 20 minutos, ou até dourarem.




Estes scones são mesmo bons, nota-se bem o sabor dos agriões e do queijo.
Podem ser servidos simples, ou recheados. Não resisti a experimentar com o queijo fresco em creme "Cool light da Saloio", ficou verdadeiramente irresistível.
A cobertura um pouco picante combina aqui na perfeição e as sementes de sésamo atrasem-lhes um toque crocante.
Claro que o picante é opcional, se não gostar omita-o.



São bons para qualquer ocasião: sirva-os ao lanche; faça-os mais pequeninos podem ser uma entrada diferente, junte uma  fatia de presunto ao queijo fresco ou até um pouco de salmão fumado;  são ainda ideais para um piquenique (estou desejosa de sair para piquenicar). 
Não faltarão bons motivos para os experimentar.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Arroz Doce Cremoso

- O melhor é o da minha mãe!
- Não, não! O melhor é o da minha avó.
- Qual quê!? Toda a gente diz que o melhor é o da minha cunhada!
- Não quero discutir, mas o melhor é o da minha sogra.
- Vocês dizem isso porque ainda não provaram o da minha vizinha, esse é o melhor de todos!
- Ora essa! Que mania a vossa... o melhor de todos é o meu!


É verdade, não é? 
Quando se fala em "Arroz Doce", toda a gente sabe quem faz (ou fazia) o melhor!
Lembro-me de ser uma garota e de ir com o meu pai a casa da mãe de um amigo, parece que ainda ouço o senhor a descrever o arroz doce que a mãe dele fazia, era o melhor do mundo! Estava desejosa de o provar, tanto que foi gabado durante a viagem. O aspeto era delicioso, bem amarelinho, pintado com as gemas das galinhas, que alegres corriam soltas pelo quinteiro. À primeira colherada a surpresa foi total! Os bagos de arroz estalavam ao trincar, o arroz estava "al dente", achei aquilo horrível! Menina bem educada, comi todo o arroz e ainda tive que me esquivar para não ter que repetir a dose!



O melhor para mim era o que a minha mãe fazia. Recordo aquele arrroz envolto num creme aveludado, doce, delicioso! Nunca me preocupei em aprender a fazê-lo porque essa era a especialidade dela, grande erro! Hoje tenho o cuidado de procurar aprender o mais possivel com está está na disposição de me ensinar e regsito tudo em detalhe.
Existem uma infinidade de receitas para este doce tão típico e todas diferentes. Os ingredientes vão sendo similares, mas mudam as quantidades, a forma de execução e o resultado, claro que também é diferente. São todos bons, dependendo do gosto de cada um. Há quem o aprecie bem espesso, com o bago firme, pode-se cortar à faca. Há quem goste dele muito cremoso, com o bago semi desfeito. Há quem goste dele imensamente doce, com o dobro do peso do açúcar em relação à quantidade de arroz. Há ainda, quem goste de o temperar com uma generosa quantidade de manteiga. Há até quem depois de pronto o meta no forno para tostar! Depois há as versões já mais modernas que lhe juntam leite condensado, chocolate, doce de ovos, frutas, merengue... uma infinidade de possibilidades.



Durante anos decidi não fazer "Arroz Doce", simplesmente não me sentia capaz!
Antes disso tentei muitas vezes, com diferentes receitas, recordo-me de uma até levava maizena para o "obrigar" a ficar cremoso, mas nunca consegui chegar aquele tão especial e de que tanto gosto, por isso convenci-me que não era capaz!



Há algum tempo atrás, deliciei-me com um pires de arroz doce cremoso, em casa da  minha amiga Clarisse. Ela teve a gentileza de me dar a receita e explicou-me todos os passos! Entusiasmei-me e tentei... mais um desastre, consegui talhar o arroz doce, o que não é coisa para todos! Apesar desse desaire ficou perto do que eu queria. O meu filho disse que tinha um textura engraçada e estava muito bom, ahahah! Não desisti, e dediquei-me a estudar melhor o assunto! 
Certo dia..."Eureka" fez-se luz, descobri finalmente o que me escapava! Esteve o tempo todo bem na frente dos meus olhos, mas a pressa não me deixava enxergar! 
Qual era a minha dificuldade? 
Não esperar o tempo necessário, não mexer pacientemente durante 1 hora o arroz. Eu achava que mal estava cozido já chegava, estava pronto, por isso umas vezes ficava muito espesso e outras líquido e sem piada nenhuma. Andava focada nas quantidades de arroz, leite, ovos (que também são importantes) e escapava-me o principal... tempo e paciência, num lento  e repetitivo mexer a panela! As receitas descrevem os diferentes passos, mas não referem o tempo que deve decorrer entre cada uma das etapas! 
Já sei o que estão a pensar... eu precisava de um desenho, ahahah!



Depois de ter conseguido, finalmente, um bom resultado na confeção do tão desejado arroz, resolvi experimentar usar a MFP. Desaparece a parte chata da receita e fico livre para ir fazendo outras coisas. Fiquei muito satisfeita com o resultado, mas o bago desfez-se mais, mas ganhou em cremosidade.
Faltava conseguir o sabor especial de outros tempos, procurei restituir ao leite o que lhe foi tirado (a nata e a manteiga) e arranjei ovos caseiros. 




Arroz Doce Cremoso

Ingredientes:


200g de arroz carolino IGP da Orivarzea;
500 ml de água;
casca de 1/2 limão (4 tiras);
2 paus de canela;
1/8 de colher de essencia de baunilha (opcional);
1 pitada de sal;
1,5 l de leite meio gordo (ou gordo);
200 g de açúcar;
2 colheres de sopa de manteiga;
4 colheres de sopa de nata*;
6 gemas;
canela em pó q.b.

* Caso use leite gordo pode reduzir a nata para metade ou até eliminar.


Execução na MDP:


Aqueça a água e verta-a na cuba da máquina. Selecione o programa "Doces", (na minha máquina é o número 11 e dura 1.20 h).

Retire, com um descascador, a casca do limão e junte-a à água, com os paus de canela e a baunilha (opcional).
Quando as pás começarem a girar acrescente o arroz. Deixe cozinhar até que toda a água seja absorvida.
Junte o leite aquecido com a nata e a manteiga. Deixe correr o programa até as pás deixarem de mexer (na minha máquina param a 20 minutos do final do programa). Desligue a máquina.
Volte a selecionar o mesmo programa. Junte o açúcar e retire as cascas de limão e os paus de canela.
Volte a ligar a máquina e deixe correr de novo o programa. Quando as pás voltarem a parar, retire uma concha de arroz e misture-o bem com as gemas, adicione esta mistura  ao restante arroz. Uma vez que as pás não vão voltar a mexer faço-o cuidadosamente à mão, de forma a envolver bem as gemas.
Feche a tampa e deixe ficar durante 3 minutos, para que as gemas cozinhem.
Desligue a máquina.
Retire a cuba, verta o arroz em travessas, pratos ou tigelas.
Espere que arrefeça um pouco e decore a gosto com canela em pó.

Notas:
  • Demora cerca de 2 horas, como a temperatura é mais baixa que no fogão, o bago do arroz vai-se desfazendo um pouco mas não totalmente, largando no processo toda a sua goma. O tipo de arroz usado também tem influencia, escolha um bom arroz carolino, que tem o bago mais firme;
  • É necessário prestar atenção no início para ver quando a água já foi absorvida e logo de seguida juntar o leite;
  • O leite não atinge a temperatura de ebulição e por isso não sobe, não há risco de verter para fora da cuba. Porém verifique a capacidade da cuba da sua máquina, não são todas iguais. O nivel do leite tem que ficar cerca de 2 dedos abaixo do bordo da cuba, o movimento das pás provoca oscilação e se ficar muito cheio pode entornar. Adicione todo o leite de uma vez, caso contrário vai oscilar muito e salpicar por fora.
  • O programa é acionado por 2 vezes, mas não até ao final, finda 1 hora é desliagado, para ser recomeçado.  Decorrida mais 1 hora tem que ser parado manualmente.
  • Se usar leite inteiro pode dispensar parte da nata, mas não elimine a manteiga pois aporta sabor e cremosidade.


Execução tradicional:

Leve a água ao lume com as cascas do limão, os paus de canela e umas gotas de essência de baunilha, até levantar fervura.
Junte o arroz e deixe cozer, em lume brando, até toda a água ser absorvida. Mexa regularmente.
Ferva o leite juntamente com a manteiga e a nata.
Assim que o arroz ficar sem água visível comece a juntar o leite e mexa bem. 
A temperatura do fogão deve ser baixa, é uma cozedura lenta. 
Vá juntando o leite aos poucos e mexa bem num ritmo vagaroso, mas sem parar. Repita o processo até esgotar o leite, o que deve demorar cerca de 25 minutos.
Adicione o açúcar e continue a mexer mais uns 15 minutos.
Retire do lume, extraia as cascas de limão e os paus de canela.
Coloque as gemas numa tigela, bata-as ligeiramente com um garfo.
Junte uma concha de arroz às gemas e mexa bem.
Adicione as gemas desfeitas no arroz ao tacho e mexa até estar misturado.
Volte a levar ao lume, mexendo sem parar durante 3 minutos.
Verta o arroz doce me travessas, pratos ou tigelas.
Deixe arrefecer e decore com canela em pó a gosto.

Nota: Todo o processo deve demorar cerca de 1 hora.


Aqui está tudo revelado, não há segredos, este é um doce do tempo em que não havia pressa! O maior segredo era o tempo e a paciência de mexer lentamente, em lume brando o arroz. Demora, da forma tradicional, cerca de 1 hora, mas vale bem a pena. 
Na MDF demora o dobro do tempo, mas podemos fazer outras tarefas na cozinha, porém o arroz fica mais desfeito. 
Quem tem a Bimby, ou similares, também as pode usar, encontra por ai muitas receitas. 
Vivemos num tempo de "pressas" por isso podemos socorrer-nos do que as novas tecnologias têm para nos oferecer.
Este post está enorme, ninguém tem tempo, nem paciência, para o ler mas eu gostei imenso de o fazer. Mostra como finalmente mudei um "não sou capaz" para um "eu consigo"!
Espero que possa ajudar alguém a sentir-se da mesma maneira.

domingo, 26 de abril de 2015

Bolo de Laranja Caramelizada

No despertar da vida ela é símbolo de amor e encerra, na sua alva beleza, a esperança e a pureza em forma de singela flor. Mais tarde vê-se jovial e colorida, por vezes doce, por vezes amarga que nem sempre sorri a vida! 
A sua fragância, fresca e sedutora, todos atrai, todos enamora. É então, nesses momentos de atração, que ela se entrega mas não por inteiro… dá-se aos poucos, gomo a gomo, espicaçando o desejo e o sonho.
Dona de tão rara beleza, não admira que haja muito quem, sentindo-se pela metade, procure nela encontrar a sua outra parte!
Esteve, em tempo que já lá vão, cativa de um feroz dragão, esta menina de ouro então chamada. Valeu-lhe  a coragem de um herói, bravo e destemido, Hércules muito lutou e com sua esperteza e valentia, para bem de todos, a libertou.
Se tudo isto não bastasse, diz-se ainda que, tal como a felicidade, ela por vezes apresenta-se doce e acaba amarga, deixando na sua partida um rasto da saudade!


Não podia deixar terminar a época das doces e sumarentas laranjas, sem fazer com elas um bolo. A oportunidade surgiu com a oferta de um saco de laranjas biológicas, mal as vi soube o destino que lhes queria dar. Escolhi um bolo muito fácil e rápido de fazer, o famoso bolo de laranja inteira. Já que a massa se faz num piscar de olhos dediquei um pouco de tempo à cobertura, que se prepara já dentro da forma. 


A tarefa de fatiar as laranjas é tão fácil com a ajuda do cortador de legumes da Borner, é num instante que se têm rodelas de laranja absolutamente perfeitas! Uma maravilha trabalhar com equipamentos desta qualidade.


Bolo de Laranja Caramelizada

Ingredientes:

Bolo

1 laranja grande (+ 200g), biológica;
3 ovos;
1+1/2 chávena de açúcar;
1 chávena de óleo (girassol ou milho);
2 chávenas de farinha;
1 colher de sobremesa de fermento.

Cobertura

3 ou 4 laranjas biológicas;
1/2 chávena de açúcar amarelo;
caramelo liquido Royal.


Execução:

Laranja Caramelizada


Corte em rodelas finas as laranjas destinadas à cobertura do bolo e procure aproveitar o sumo que escorre. Retire as sementes.
Numa forma circular, de fundo fixo,  leve ao lume o açúcar amarelo e um pouco de sumo de laranja até este derreter e começar a ferver.
Disponha as rodelas de  laranja, forrando toda a forma. Leve de novo ao lume, deixe que evapore o sumo que as laranjas vão libertar, deve reduzir e ficar um xarope espesso. Reserve.

Massa do bolo

Corte a laranja em pedaços, mantendo a casca, retire apenas as sementes.
Coloque no liquidificador a laranja partida, os ovos, o óleo e o açúcar.
Deixe triturar bem.
Envolva  a farinha e o fermento com a restante massa, sem bater.
Leve ao forno, pré-aquecido a 180º C, durante 35 minutos. Faça o teste do palito.
desenforme de imediato.
Pincele bolo com caramelo líquido.
Ligue a resistência do forno e deixe aquecer. Mantendo a porta aberta, introduza o bolo penas uns minutos para que o caramelo fervilhe sobre a laranja. Mantenha a vigilância, é um processo rápido.


A primavera brindou-nos na sua chegada com dias quentes e soalheiros, mas sabemos bem que ela é instável, caprichosa, volúvel e por isso decidiu trocar o calor pelo frio. Lá volto eu a enrolar-me na mantinha no sofá, acompanhada por uma chávena de chá e uma fatia fragante de bolo.


Não me despeço das laranjas, ela fazem parte dos meus dias, todos os dias e em todas as estações, estão sempre na fruteira, não podem faltar, não as dispenso.


Se por acaso ainda não experimentaram fazer um bolo assim, não adiem mais, há coisas que simplesmente não se podem perder!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Pimentinhos Recheados com Requeijão

És tão apetitoso que me apetece comer-te! 
Adoro mosdiscar-te e arreliar-te, 
Depois dou-te uns beijinhos e mais umas dentadinhas e 
Para terminar faço-te festinhas e dou-te uma mordidela.
Logo a seguir apetece-me mais e começo de novo!
Tu dás uma resmungadela, mas não te zangas, 
Sabes bem que és muito gostoso!


Há momentos em que queremos fazer algo especial para começar uma refeição. Porém nem sempre queremos ter muito trabalho e estar horas a cozinhar, nesses momentos é bom ter na manga uma receita como esta. 


Sempre que vejo estes pequenos e tão coloridos pimentinhos não lhes resisto, trago alguns comigo. Desta vez usei-os numa entrada muito simples, saborosa e visualmente bem bonita.
É daquelas entradas que se podem preparar com algum tempo de antecedência e guardar no frigorifico até á hora de servir. Tem ainda outra vantagem, pode ser comida à mão, cada um serve-se da travessa. Não são precisos talheres nem pratos, vão-se mordiscando os pimentinhos e pronto!


Ingredientes:

2 embalagens de pimentinhos multi-color;
1 requeijão do campo com azeitonas pretas;
100 g de toucinho fumado;
mistura de 5 pimentas q.b.
flor de sal q.b.
oregãos secos q.b.
azeite q.b.

Ingredientes de parceiros: especiarias Suldouro; flor de sal Marnoto; requeijão com azeitonas Saloio.


Execução:

Corte uma tampa do lado do pé aos pimentos e retire-lhes as sementes, sem os romper.
Leve-os a grelhar com uma pitada de flor de sal.
Corte o toucinho em pedaços pequenos e leve ao lume numa friguideira, só com um pouco de azeite, deixe saltear.
Usando um garfo desfaça o requeijão, tempere a gosto com um fio de azeite, um pouco da mistura de pimentas e os oregão secos.
Misture o toucinho com o requeijão.
Usando um colher pequena recheie os pimentinhos.


Quem não gostar de pimentos pode fazer o mesmo com tomatinhos cacho.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Folar de Chaves

Ela ansiava por se apaixonar. Sonhava em casar cedo, arrebatada por um grande amor. Eis que a vida lhe prega uma partida e coloca na sua mão uma difícil decisão, a escolha entre dois pretendentes, em tudo diferentes, um belo e pobre lavrador ou um lindo e rico fidalgo! 
Apelou à santa da sua devoção por ajuda nesta aflição, a data da resposta aproximava-se e Mariana não sabia quem amava, não podia escolher! 
Só num momento de aflição, vendo que ambos se enfrentavam com violência pelo seu amor, dos seus lábios brotou o nome que já, em segredo, habitava no seu coração... Amaro, humilde de condição.
A escolha estava feita, mas continuava inquieta,  não descansava com receio de retaliação do ressentido fidalgo. Aconteceu então algo inesperado, um bolo com ovos e flores apareceu e a reconciliação e amizade prevaleceu!


A lenda do Folar da Páscoa é bem bonita, um bolo que celebra a reconciliação e a amizade. Não precisa de ser Páscoa para o levar à mesa, embora seja nestes dias que ele se torna imprescíndivel.
No rescaldo da Páscoa não quis deixar esta receita sem publicar, gosto imenso de folares, doces e salgados, especialmente estes últimos! Temos uma cultura gastronómica riquíssima, da qual nos devemos orgulhar muito, venho tentando fazer alguns folares e o de Chaves foi o escolhido desta vez.



A receita deste folar veio de Faiões do concelho de Chaves. Vi-o ser confecionado pelas mãos carregadas de sabedoria da D. Noémia! Fiquei completamente encantada ao observar cada gesto, fazendo tudo parecer tão simples. Vocês também podem ir lá  ver, basta fazer um CLICK, chegam lá num instante!


O chefe Hernâni Ermida, no seu blogue "A vida com mais sabor" fez uma adaptação da receita original para o forno elétrico, numa dose que pudéssemos fazer em nossas casas. Decidi experimentar, juntei um pouco de farinha integral e tive necessidade de adicionar mais ovos, pois a massa não ficou com a textura que se vê no vídeo.
Apresento a receita tal como a fiz, adaptada à máquina de fazer pão, que executa a 1.ª fase.



Já fiz este folar duas vezes... nem sempre compreendemos porque razão ao fazer a mesma receita temos resultados tão diferentes. Há muitos fatores que podem interferir. A experiência deste folar provou a enorme importância que tem a temperatura do forno da hora de fazer pão. Na 1.ª vez fiz o pré-aquecimento do forno, deixei que atingisse a temperatura desejada e coloquei o folar a cozer. O resultado foi bom, mas depois de entrar no forno não cresceu mais nada. Na vez seguinte, o forno começou a trabalhar cedo, fez alguns doces, um assado e no final entrou o folar. Nem queria acreditar no que vi... cresceu, abriu, uma maravilha! Um resultado bastante diferente, além de maior, o miolo ficou mais macio. A única coisa que mudou foi a temperatura do forno, os ingredientes e o modo de execução foram exatamente iguais. 
Agora sempre que fizer um assado, daqueles bem longos, vou ter um pãozinho levedado à espera de entrar no forno no final.



Ingredientes:

400 g de farinha de trigo T65;
100 g de farinha de trigo integral;
5 ovos M;
50 ml de água;
75 ml de azeite;
25 g de banha de porco;
15 g de manteiga;
1 saqueta de fermento de padeiro seco;
sal q.b.
presunto q.b
salpicão q.b.


Execução:

Coloque os ovos de molho em água morna.
Leve a aquecer o azeite com a manteiga e a banha, até que as gorduras sólidas derretam.
Bata ligeiramente os ovos e verta na cuba da MDF. 
Adicione o sal.
Junte as gorduras e a água tépidas aos ovos.
Misture as farinhas  e sobreponha na cuba.
Finalmente espalhe o fermento sobre a farinha.
Selecione o programa "Massa", que amassa e leveda.
Verifique que a massa cresceu para cerca do triplo do volume. Se for necessário deixe-a dentro da máquina mais algum tempo (com ela desligada).
Espalhe um pouco de farinha na bancada e retire o ar à massa espalmando-a com as mãos.
Forme um disco espalmando a massa, disponha o presunto cortado em pedaços e o chouriço fatiado.
Puxe as margens da massa para o interior, dobre o disco a meio (como vê nas imagens).
Deixe levedar durante  30 minutos a 1 hora, num local aquecido.
Pre-aqueça o forno a 200º C (deixe aquecer bastante, o ideal é cozer o folar no final de fazer um assado). 
Introduza o folar no forno e verta um copo de água no fundo para criar vapor.
Deixe cozer durante cerca de 25 minutos. 
Arrefeça sobre uma grande.


Já sei que muitos vão dizer que feito do modo tradicional é melhor, porque a máquina acelera a fase de levedar. Eu deixo a massa dentro da máquina no fim do ciclo, já depois de desligada, durante mais algum tempo. Na 2.ª fase de levedar, fica sempre cerca de 1 hora. Desta forma consigo um bom resultado que me satisfaz. 


A qualidade dos fumados é também fundamental. Procurem artigos regionais, se possível caseiros, ainda se encontram em feiras e mercados. Ou então marcas que reproduzem receitas e modos de confeção artesanais, como é o caso da marca "Quinta dos Fumeiros", parceiro deste blogue. 


Porque o sonho comanda a vida eu continuo a sonhar com um forno a lenha, desses onde antigamente se cozia o pão, o sabor é único e não se consegue reproduzir no forno eletrico ou a gás, ainda que fique bom... não é a mesma coisa!


O interior do folar desta foto foi o da 1.ª tentativa, o segundo não houve tempo para fotos, chegou ainda morno à mesa e... desapareceu num piscar de olhos.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Amêndoas Caramelizadas com Canela

Ficava radiante de dourado, luzidia, luminosa, perfumada pelo mel.  Mais tarde vestiram-na de branco, tão alva como a neve, neve que em breve havia de derreter e dar lugar ao seu renascer. Depois começaram a adorna-la de mil cores, as mais alegres e garridas, que traziam à mente os campos radiantes de flores e celebrava assim a chegada da primavera.
Ela era amada e quase venerada, convidada de honra em momentos festivos da maior importância. 
Tudo isto porque encerrava no seu coração a promessa de uma nova vida, um novo recomeço.




Gosto das nossas épocas festivas, gosto dos rituais, do regresso dos pratos e doces tão tradicionais, que ano após ano voltam a ocupar o seu lugar na mesa. Gosto de ver a alegria bailar no olhos dos que me rodeiam, das conversas à volta da mesa, das gargalhadas, das memórias partilhadas.
Gosto ainda de ter sempre uma ou outra novidade... 


- Este ano as amêndoas foram feitas por mim - anunciei. Todos olhavam e pareciam não acreditar, por isso repeti e repeti até me assegurar que tinham percebido e as iam provar.
Nem acredito que são tão fáceis e rápidas de preparar! A receita vi-a na página do facebook A Minha Cozinha da Clara de Sousa e pensei de imediato em testa-la.  Substitui o açucar refinado pelo amarelo e juntei um pouco de flor de sal, o resultado superou as minhas expectativas!



Amêndoas Caramelizadas com Canela


Ingredientes:

200g de amêndoas com pele;

1/2 clara de ovo;
1 colher de chá de água;
60g de açúcar amarelo;
40g açúcar mascavado escuro; 
1 colhere de chá de canela em pó (Suldouro);
uma pitada de flor de sal (Marnoto).



Execução:

Bata a clara de ovo com a água até obter uma espuma, sem liquido, mas sem chegar a ficar em castelo (não deve ser demasiado batida).
Noutro recipiente misture bem os açúcares, a canela e um pouco de flor de sal.
Junte as amêndoas à clara e envolva-as muito bem.
Adicione a mistura de açúcar e canela e volte a envolver bem no preparado de amêndoas.
Forre um tabuleiro com papel vegetal e espalhe-as bem.
Leve a forno pré-aquecido a 150º C, durante 15 minutos. Usando um garfo volte as amêndoas e leve mais 15 minutos ao forno.
Deixe arrefecer, separe as que ficaram colodas.
Delicie-se!




Espero que a vossa Páscoa tenha sido muito feliz e docinha.