sábado, 13 de junho de 2015

Bolo Mousse de Café

Batem à porta com violência.
- Bom dia o que deseja?
- Quero saber quem é o dono desta casa...
- Está a falar com o próprio.
- Então é o senhor que diz ser o dono?
- Sim, sou eu!
- Prove que é o dono, quem me garante que é?
- Essa agora! Moro nesta casa com a minha família há mais de 20 anos! Fui eu mesmo que a construi, com estas mãos!
- Há mais de 20 anos? Seu egoísta! Não acha isso tempo demais? Ponha-se fora daqui, dê o lugar a outros que precisam de casa e não têm!  Não sabe partilhar? Que falta de humanidade! Cresça torne-se gente! Faça outra já que sabe fazer casas tão bem, e seja original que como esta há muitas por ai, seu interesseiro!



Hoje vou falar-vos um pouco sobre COPYRIGHT, DIREITOS DE AUTOR e especialmente de RESPEITO pelo trabalho alheio.
Procurarei ainda alertar para o quanto se desconhece sobre o uso correto de fotos, textos, conteúdos em geral que são publicados em blogues, páginas do facebook, pinterest, sites e afins.
Há quem considere legitimo usar, como bem entende, as fotos estão na internet e que aparecem nas pesquisas do google, porque uma vez publicadas são propriedade de todos! Ora isto não é verdade! 
Há quem ache se pode usar as fotos e/ou textos desde que coloque o link para a página do autor (eu também achava), mais uma vez assim não é, ou melhor apenas o é se este o consentir!
Sempre que no Pinterest partilhamos fotos, afixamos pins estamos sugeitos a cometer uma infração porque não sabemos na maior parte das vezes a origens e as voltas que já levaram as fotos em questão.
O uso e cópia não só são ilegais, como podem suscitar uma série de graves problemas, incluindo processos penais com direito a indemenizações!
Acham que estou a exagerar?
Vejam o que aconteceu com à  escritora e blogger Nori Loren, que num dos seus posts nos conta a sua experiência e alerta para os problemas que podem advir do uso incorreto da propriedade intelectual de outros.



Acredito que o conhecimento é a melhor forma de combater a ignorância, como até sou docente de profissão, vou deixar aqui algumas dicas que considero pertinentes sobre o assunto e pelas quais me procuro rejer:
  • Parta sempre do princípio que as fotos que encontra na internet se encontram protegidas por copyrigth. Se pretende usar uma foto que não é sua, peça autorização primeiro ao seu autor;
  • Ainda que as fotos não estejam protegidas por copyright, devemos respeito ao seu autor, continuam a ter direitos de autor, por isso e a não ser que haja autorização expressa no blog, ou site onde se encontram, não as use;
  • Procure fotos em sites de uso livre, como por exemplo  o Wikimedia Common e saiba que mesmo estas, estão sujeitas a algumas regras de utilização;
  • Hoje em dia é muito fácil tirar fotos, praticamente todos têm telemóveis que o permitem, então tire as suas e espalhe a sua visão artística do mundo. desta forma tem a certeza de não vir a ter problemas;
  • Se tem blog ou página no facebook e fez uma receita de outro blogger coloque o link para a página onde se inspirou e publique a sua versão usando as suas fotos, mostrando a sua experiência;
  • Caso a receita tenha sido retirada de um livro, revista, programa de TV... não se esqueça de cita-lo e dizer quem é o seu autor original;
  • Nunca copie e "cole" uma receita de outra pessoa na totalidade (texto e fotos) a não ser que tenha autorização do seu autor para o fazer. Eu, por exemplo, autorizei a página do facebook Receitas de Portugal  a fazê-lo porque são extremamente corretos e têm um papel importante na divulgação dos blogues de culinária portugueses;
  • Não encare o trabalho dos outros de forma leviana, mesmo que veja que não comercializam nem auferem rendimentos do mesmo, (como é o meu caso), e pense que não está a prejudicar ninguém. O que vê dá trabalho, são-lhe dedicadas muitas horas em detrimento de outras coisas, e é partilhado de forma totalmente gratuita;
  • Se pretende guardar uma receita para uso pessoal no seu mural de facebook ou partilha-la com os amigos, faço-o da forma correta usando as ferramentas adequadas. Coloque sempre o link ao local de origem, use o botão "PARTILHAR" que preserva e origem da página autora, ou em alternativa copie o link da barra de endereço e cole, assim terá uma miniatura com a foto e o titulo da receita/ artigo ou video, bem como o link.
Não é difícil agir com correção.


Vamos à receita de hoje? 
É uma originalidade? 
Certamente que não!
Já foi feita antes por alguém?
Claro que sim, por imensas pessoas no mundo inteiro, grandes chefes internacionais, pessoas com formação académica em culinária, donas de casa sem formação alguma na área mas com muito talento... e agora foi feita por mim!
Vou citar alguma obra ou cozinheiro famoso?
Faço-o muitas vezes, mas não será o caso desta receita, simplesmente porque não recorri a nenhum livro, revista ou similar. Fiz a mousse de chocolate de sempre, a que já sei de cor e apenas modifiquei a receita juntando café e gelatina para a poder enformar, colocando uma base de bolacha e mais algumas coisinhas!
Quem é o autor original da mousse de chocolate... o 1.º no mundo que a fez?
Vocês sabem?
Eu não! 
Sei que existem para cima de 1 milhão de versões diferentes, variações de todo o tipo, sabores, cores e formatos, adaptações com frutas... e tantas outras que ainda virão!
Não tenho a pretensão de ser original, na verdade não tenho nehum tipo pretensão! 
Hoje deixo-vos esta mousse adaptada para sabor a café e enformada para se transformar num bolo. Foi com ele que festejamos o aniversário do meu filho em Abril.


Bolo Mousse de Café

Ingredientes:

Base

200 g de bolachas de água e sal;
2 colheres de sopa de café solúvel em pó;
125 ml de óleo de coco (Myprotein);
4 colheres de sopa de leite condensado;
2 colheres de sopa de licor de café (Chocolicor).

Mousse de Café

200 g de chocolate em tablete 70% cacau;
1 colher de chá de manteiga;
10 colheres de chá de café solúvel em pó;
75 ml de água fria;
1 lata de leite condensado (menos as 4 colheres de sopa usadas na base);
50 g de açúcar;
6 ovos;
6 folhas de gelatina.

Gelatina de Licor de Café

1 folha de gelatina;
3 colheres de sopa de licor de café.

Creme Moka

75g de manteiga;
1/2 ovo;
2 colheres de chá de café solúvel em pó;
2 colheres de chá de água fria;
50 g de açúcar.

Ainda

Grãos de café para decorar;
Ao centro crocante com bolacha, chocolate e café triturados grosseiramente.




Execução:

Base

Triture as bolachas até obter migalhas tipo areia.
Dissolva o café no leite condensado e junte às migalhas de bolacha.
Adicione o oleo de coco e  o licor de café. Misture bem todos os ingredientes.
Disponha sobre um prato de servir o aro circular. Cubra as laterias do aro com folhas de acetato para ser mais fácil desenformar sem estragar a lateral.
Forre o fundo com a base de bolacha preparada, precionando um pouco, mas sem compactar demaiado. Reserve.

Mousse de Café (para enformar)

Parta o chocolate em pedaços e leve a derreter com a manteiga no micro-ondas durante 1 minuto.
Retire e mexa até que o chocolate se dissolva totalmente.
Demolhe as folhas de gelatina e derreta no micro-ondas sem deixar ferver.
Dissolva o café na água fria, junte a gelatina e mexa bem.
Bata as gemas com o açúcar.
Junte a gemada o chocolate derretido e a mistura de café e gelatina. Envolva muito bem todos os ingredientes.
Bata as claras em castelo. Envolva no preparado anterior.
Verta sobre a base de bolacha e leve ao frio  até prender bem (deixei durante a noite).

Gelatina de Licor de Café

Depois de solidificar prepare a gelatina de licor, derretendo a folha de gelatina e misturando-a com o licor. Verta sobre a mousse e sacuda ligeiramente para que se espalhe sobre toda a sua superfície. Volte a colocar no frio.

Creme Moka

Bata a manteiga e junte aos poucos o açúcar, sem parar de bater.
Bata o ovo, rejeite metade (pode congelar) e incorpore a outra parte.
Dissolva o café solúvel com 2 colheres de chá de água fria.
Junte o café e bata bem.

Montagem

Retire o aro metálico com cuidado.
Aqueça uma faca e lentamente vá rodando a faca sobre a lateral do bolo ao mesmo tempo que descola as folhas de acetato.
Coloque o creme moka numa seringa de pasteleiro com um bico estrelado e vá decorando o bolo.
Ao centro coloque um pouco de crocante.
Finalize com alguns grãos de café.




Gostam de chocolate?
E de café, gostam?
Provem lá...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Risotto da Alheira com Legumes de Primavera

As tardes espreguiçam-se langidamente e vão chegando cada vez mais longe, empurrando noite.
As flores invadem todos os recantos, inundam o ar com o seu perfume e pintam a paisagem de mil cores. Nos raios de sol penduram-se os frutos maduros e as borboletas executam rebuscadas piruetas  em espirais de paixão.
A brisa encarrega-se de espalhar a Primavera por todos os recantos com o seu sopro perfumado e os passarinhos cantam-lhe canções de amor. Então ela dá a mão ao Verão e deixa-se levar numa onda de encantamento!


Não sei o que se passa com as estações, ontem começou a primavera, mas de repente é verão! As flores desabrucharam  e depressa murcharam com tanto calor,  tudo na natureza parece correr!  Não me intrepretem mal, eu adoro o verão, mas temo que tendo ele chegado tão cedo, se vá embora antes que chegem as minhas férias!
Vou então teimando com a primavera, para que ele marque a sua posição e não se deixe "abafar" pelo caloroso verão!


Ingredientes (4 doses):

250 g de arroz arbóreo;
1 cebola média;
2 dentes de alho;
100 ml de vinho branco maduro;
3 alheiras, cerca de 700 g (Fumeiro d'avó Maria);
3 colheres de sopa de manteiga;
azeite q.b.
1,5 l de caldo de legumes;
3 colheres de sopa de queijo cremoso magro (Laticínios das Marinhas);
1 chávena de legumes variados (ervilhas, favas baby, ervilhas tortas, espigos de couve);
1 colher de chá de tomilho fresco;
pimenta preta de moinho q.b.
sal q.b.
queijo parmesão ralado para polvilhar.


Execução:

Retire a pele às alheiras e leve-as ao lume numa frigideira até ficarem tostadas.
Estale a cebola e os dentes de alho, finamente picados, com azeite e metade da manteiga
Junte o arroz e misture bem com o azeite e a manteiga, deixe fritar até ficar translucido.
Adicione o vinho branco mexa até evaporar.
Vá acrescentando o caldo de legumes (a ferver) aos poucos e mexa entre cada nova adição de forma a que o arroz vá soltando a sua goma.
Junte metade das alheiras e os legumes.
Tempere com sal e pimenta acabada de moer.
Continue a mexer e a adicionar caldo até que o arroz e os legumes estejam cozidos.
Por fim misture a restante manteiga, o queijo creme e o tomilho fresco.
Sirva o risotto com rodelas de alheira.



As alheiras que usei neste risotto foram oferta do Fumeiro da Avó Maria. Têm o sabor do fumeiro tradicional e aquele cheirinho fantástico a fumo. 



Um prato muito simples mas cheio de sabor, um risotto à portuguesa!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Pão de Minuto

São quatro, o número mágico é o quatro!
Pois é, e fica pronto em três tempos!



Nunca vos aconteceu ter uma enorme vontade comer um pãozinho e verificar que acabou, já não há pão em casa?
A mim acontece-me com alguma frequência! Nesses momentos ainda apetece mais e nada dentro dos armários consegue tirar o enorme desejo de comer um pão.
Tentando remediar o problema tenho testado várias receitas de "Pão de Minuto",  curiosamente apercebi-me que não tinha nenhuma aqui no blogue, ora isso não pode ser!




Existem vários tipos de pão que se podem fazer num momento de "urgência", geralmente recorro ao pão de soda, pois não é preciso levedar a massa e assim tenho um pão pronto a comer num instante.
Estes pãezinhos são recorrentes cá em casa, já os fiz muitas vezes, é daquelas receitas que estão apontadas à mão num caderninho velhinho. Acredito que seja muito conhecida, mas não sei a sua origem, é fácil de memorizar porque as quantidades andam de 4 em 4. 
Os pãezinhos ficam macios, crescem bastante, a massa é adocicada, mas se não quiserem reduzam o açucar a metade. 
Não podiam ser mais fáceis de fazer, acho uma receita perfeita para cozinhar com os mais pequenos. Hoje é o "Dia Mundial da Criança" deixo-vos esta sugestão para brincarem com eles.
Vamos ser padeiros?


Pães de Minuto

 Ingredientes:

4 chavenas de farinha de trigo;
4 colheres de sopa de açúcar;
2 colheres de chá de fermento em pó (fermento normal de bolos);
1 colher de chá de sal;
4 ovos M + 1 gema (pincelar);
4 colheres de sopa de manteiga amolecida;
1/2 chávena de leite;
sementes de papoila  ou outras a gosto (opcional).



Execução:

Aquecer o forno a 190º C.
Numa tigela misturar a farinha com o açúcar, o sal e o fermento.
Abrir uma cova ao centro e juntar os ovos, o leite e a manteiga.
Misturar todos ingredientes e bater bem a massa (pode fazê-lo à mão, com a batedeira usando os arames ou no robot).
Vai ficar peganhenta mas não adicione mais farinha.
Passe um pouco de óleo nas mãos e forme  bolas.
Disponha num tabuleiro untado ou forrado com papel vegetal.
Pincele com gema de ovo e salpique com as sementes de papoila.
Leve ao forno durante 15 minutos. 







São tão bons mornos com manteiga ou com um queijo Regional da  Saloio.
Pode-se juntar aromas como canela, erva doce, anis... 
Podemos modifica-los e adicionar passas, pepitas de chocolate, figos secos cortados aos pedacinhos...
Mudamos as sementes ou misturamo-las na massa...
Reduzimos o açúcar, trocamos a manteiga por azeite e podem ter azeitonas, pedacinhos de queijo, presunto, chouriço...
As combinações são imensas, o resultado sempre bom.
Então vão fazer um "Pão de Minuto"?

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Cordial - Xarope de Flor de Sabugueiro

Diziam que ele era milagroso!
Sambucus Nigra tinha fama de ser feiticeiro, capaz de lançar poderosos encantamentos! Também se dizia que sabia fazer mezinhas e poções variadas, uns chamavam-lhe  o "guardião da saúde", e quase o veneravam. Havia aqueles que o maldiziam e acusavam de ser venenoso, altamente perigoso, amigo das bruxas!
Não sei se sabem, mas foi ele que fez uma das varinhas mágicas mais poderosas de todos os tempos... sim, sim a "Elder Wand"! 
Era preciso conhece-lo muito bem para perceber que o seu lado bom superava largamente a sua face mais obscura. Uma coisa é certa quer o amassem ou detestassem, quem o conhecesse não lhe ficava indiferente!
Este era sem dúvida um senhor a quem todos tiravam o chapéu!


Os sabugueiros estão em flor e que lindas são estas minúsculas florzinhas, juntas nas suas umbelas parecem ramos de noiva.
Há muito tempo que queria experimentar usa-las, mas tinha algum receio, por isso pesquisei imenso, li bastantes artigos, analisei receitas... em fim, certifiquei-me que não iria fazer asneira e pôr o pessoal aqui de casa a abraçar a barriga, eheheh.  
Quando a Wikipédia me fala em " glicosideo de cianeto" todo o cuidado é pouco! Porém são muitos mais os beneficios desta planta que os seus perigos, é apenas preciso fazer dela uso correto. Se os antigos lhe chamavam "guardião da saúde" eu acredito na sua sabedoria, mas aqui vamos falar de gastronomia e não de medicina, deixo isso para os entendidos em "remédios", porém se fizer bem à saúde tanto melhor.




Decidi fazer um 1.º lugar o concentrado ou xarope de flor de sabugueiro, também conhecido por cordial. A maioria das receitas concordam nos ingredientes, mas diferem nas quantidades e tempo de maceração; foi-me difícil decidir qual fazer, além disso desagradava-me a ideia de ter que usar ácido-cítrico num produto caseiro. Até que descobri uma receita do Jamie Oliver que não o levava,  no blog  Lottei+Doof. Confio  no bom gosto  e experiência do Jamie, por isso a escolha estava feita.



O que aprendi entretanto e que não quero esquecer:

  • As flores devem ser apanhadas num dia de sol e se possível de vários sabugueiros, para se obter uma mistura de aromas e açucares;
  • Devem preferir-se flores jovens, acabadas de desabrochar;
  • Não podem ser lavadas, estendem-se numa bancada e separam-se dos pedúnculos verdes e limpam-se de algum pequeno inseto que possam ter;
  • Na execução do cordial as flores devem ser recém colhidas, o mais frescas possível;
  • O cordial pode ser feito só com limão ou com mistura de citrinos;
  • Se quisermos usar as flores para infusão têm que se deixar secar primeiro;
  • Podem ser usadas frescas em refrescos com sumo de limão e mel;
  • Podem ser fritas com um polme e polvilhadas com canela (vou fazer isto em breve);
  • As flores também podem ser usadas para aromatizar vinagres, doces e mel.

Ingredientes:

20 flores de sabugueiro (umbelas ou cabeças);
1,5 kg de açúcar;
1,5 l de água mineral;
2 limões grandes;
2 laranjas.


A mandolina da Borner mais uma vez facilitou-me imenso a trabalho e cortou num instante todos os citrinos em rodelas.


Execução:

Separe as pequenas flores das hastes.
Corte as laranjas e os limões em rodelas.
Leve a água a ferver com o açúcar até que este se dissolva completamente. 
Num recipiente grande coloque as rodelas dos citrinos e as flores em camadas, verta sobre estes o xarope de açúcar morno.
Tape com um pano e  deixe em infusão durante 24 horas, mexendo um vez por outra. 
No dia seguinte coe o xarope e guarde em frascos ou garrafas esterilizadas.
Está pronto a ser usado em refrescos, gelados, bolos, cocktails, etc.







O refresco faz-se diluindo 1 colher de sopa de cordial numa chávena de água fresca (ou água com gás), claro que a concentração depende muito do gosto pessoal. Juntam-se pedras de gelo, pode decorar-se com rodelas de limão e flores.
Cá em casa todos gostaram imenso. 
Não me importava que o sabor fosse um pouco mais forte, vou certamente repetir usando mais flores e juntando açúcar amarelo para obter uma cor mais acentuada.



Nestes dias de verão antecipado, sabe mesmo bem beber um pouco de primavera!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Rosas Cristalizadas

Ela é pura, pura, singela e imensamente bela!
Ele morre de ciúmes dela, custa-lhe imenso deixa-la pela tardinha para apenas a voltar a ver ao amanhecer. Sabe que a madruga lhe trás um amante, sabe que é nos braços dele que ela dorme.
Mal a acorda ainda encontra nela a presença do rival, porém ela está sempre ainda mais linda!
O Sol sabe que o Orvalho também a ama e cuida dela durante a sua ausência e por isso, mas é para ele que a Rosa sorri.


Maio, doce Maio, mês das rosas! Gosto tanto de rosas e não tenho no meu jardim, bem tenho umas semi bravas que semeou o vento ou os passarinhos! Não faz mal, os vizinhos têm, vejo-as por todo o lado e dá-me um enorme prazer só de as olhar!
Há uma espécie, não sei o nome, que tem um perfume maravilhoso, mergulho nelas o nariz e fico assim deleitada no encanto do seu aroma, tão bom! Está uma na foto abaixo,  é a cor de rosa mais vivo.



Já experimentaram comer rosas? 
Elas fazem parte da lista de flores comestíveis, mas só poderão ser comidas se forem biológicas, mas isso por aqui não é problema, os meus vizinhos e amigos não deitam veneno nas rosas, são puras. Tenho que agradecer a várias pessoas que me ofereceram rosas para este post, muito obrigada Silvina, Fátima e Augusta.
Gosto de usar flores em algumas situações, mas é preciso ser cuidadoso saber quais as que são comestíveis e se foram cultivadas de forma biológica. Convém ainda não colher as que crescem junto de estradas muito movimentadas, pois absorvem a poluição do ambiente.


São muitas as flores que se podem usar em culinária, dão colorido e requinte a qualquer prato, mas confesso que em termos de sabor... não acho nada de especial mas ainda me faltam provar muitas!
No ano passado, por esta altura, experimentei cristalizar pétalas de rosa, adorei o resultado. Fiz algumas fotos mas não cheguei a publicar nada, comemo-las como se fossem rebuçados! 
Este ano resolvi repetir usando pétalas e rosas bem pequeninas, pequenas miniaturas que são de uma enorme beleza e prestam-se mesmo bem para utilizar com esta técnica.




Na verdade as imagens quase falam por si, não seria preciso muito mais!
Clara de ovo, açúcar e alguma dose de paciência. Apenas isso, tão simples.



As flores, nesta caso rosas, devem ser muito frescas, de preferência acabadas de colher.
As pétalas mais espessas são melhores, as do interior da rosa, sendo muito delicadas com o peso da clara o do açúcar perdem a forma e não ficam tão bonitas.
Mergulham-se em água fria para as lavar, depois enxugam-se sobre papel absorvente. Têm que ficar bem secas.



Ingredientes:

1 clara de ovo;
açúcar q.b.
pétalas de rosa  e/ou botões pequeninos de rosas.



Execução:

Retire com cuidado as pétalas de rosa, procure que fiquem inteiras, sem rasgar.

Pincele-as com a clara de ovo de ambos os lados.



Usando um coador salpique as pétalas com açúcar nas duas faces.
Os botões de rosa podem ser mergulhados na clara, depois devem-se sacudir para remover o excesso. Abra-lhes um pouco as pétalas e  pincele o interior.
Polvilhe com o açúcar, usando preferencialmente um coador. Certifique-se que o cobriu bem todas as partes.




Se houver algum espaço ao qual o açúcar não aderiu é porque não tem "cola" (clara), basta pincelar novamente nesse sítio e voltar a salpicar com açúcar.
Pouse sobre papel vegetal e deixe secar ao ar durante 24 horas.
Vire as pétalas e rode os botões de rosa, descolando-os do papel vegetal cuidadosamente e deixe secar novamente. Caso o papel vegetal esteja muito húmido troque-o por outro.
Depois de bem secas e firmes pode guardar as flores cristalizadas em frascos herméticos.
Conservam-se por vários dias, no caso das pétalas duram semanas, embora com o passar do tempo a cor se desvaneça.



 Estas fotos foram tiradas logo após a execução.



Nas fotos seguintes as rosinhas e as pétalas já estão completamente secas e prontas a usar. Podem ser consumidas assim, como se fossem um belo rebuçado, ou usadas na decoração de pastelaria.





 Ficam lindas dentro dos frasquinhos, um mimo tão bonito para oferecer.




Fiquei cheia de pena de não me ter lembrado de cristalizar os lilases, agora já não há!
Vou tentar arranjar amores perfeitos e violetas, mas é mais difícil conseguir que sejam biológicas, livres de inseticidas, adubos e demais produtos químicos. Ideal, ideal seria cultiva-las!



As rosinhas de "S. Teresinha" prestam-se mesmo bem, mas há muitas outras flores que poderão usar.
Acho muito mais bonitas que as flores de açúcar de compra.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pão Campestre com Alheira e Queijo

Ela fora feita com uma costela dele! Não seria propriamente uma costela, é mais acertado dizer que tinha dele o miolo, a sua parte mais suave e delicada. Isso fazia deles um par muito especial e não pensem que por partilharem algo tão intimo se tornavam semelhantes, nada disso, pelo contrário! Completavam-se na perfeição, por isso na vida caminhavam sempre de mão dada.



O pão continua a ser uma aventura, uma constante descoberta!
Adoro experimentar novas combinações, novas farinhas,  fazê-lo simples ou recheado... bem, de preferência recheado, eheheh!
Ao fim de semana, aqui em casa, todos esperam por um pãozinho morno e cheio de boas promessas.
As alheiras que recebi vindas de Trás-os-Montes cheiravam bem ainda dentro da embalagem! Depois de pensar e repensar como as usaria não resisti ao apelo do pão. Bem sei que o pão é um dos ingredientes que as compõem e parece redundante voltar a usa-las com pão, mas a verdade é que pão e alheira é um casamento perfeito!




O Fumeiro d'Avó Maria, situa-se em Sabade - Alfandega da Fé. A D. Lurdes confeciona, de forma artesanal, produtos regionais mantendo a tradição e sabor que lhes são tão carateristicos. Teve a gentileza de me oferecer alguns para que experimentasse. As alheiras são deliciosas, verdadeiramente irresistiveis! Fiz questão  de as  grelhar na brasa e assim manter o costume transmontano.
Há muito tempo que não comia uma alheira tão boa! 
Fazem o envio dos produtos para  todo o pais e até para o estrangeiro, bastando uma mensagem para a sua página no  Facebook, não deixem de experimentar.


Gosto especialmente de alheira com broa, broa de milho e centeio, mas como já há aqui no blog algumas receitas com esse tipo de  broa, optei por uma fazer uma versão um pouco diferente, com farinha de trigo e centeio. Decidi dar-lhe um novo visual, um pão com ar de "festa"!
Tentei que fosse um "pullapart bread", traduzido à letra como "pão para puxar" ou "tirar aos pedaços", havendo dentro de cada pedacinho um pouco de recheio Só que com este tipo de massa não resulta, ao levedar fica tudo muito "colado", não se separa como no pão de trigo. Decidi reformular a receita e rechea-lo em camadas.
As fotos são da 1.ª tentativa, por isso são visiveis as "bolinhas".


Pão Campestre com Alheira e Queijo

Ingredientes:

Pão

250 g de farinha de centeio;
300 g de farinha de trigo T65;
2 ovos M;
300 ml de leite;
1 colher de sopa de azeite;
1 colher de chá de açucar;
6 g de sal;
1 saqueta de fermento de padeiro Fermipan (11g).

Recheio

1 alheira grelhada "Fumeiro da Avó Maria" com 300g;
200 g de queijo flamengo "Cavado - Laticinios das Marinhas";
1  chavena de manjericão fresco;
2 dentes de alho;
2 colheres de sopa de azeite;
tomates mimi chucha q.b.


Execução na máquina de fazer pão:

Coloque o leite tépido, os ovos ligueiramente batidos, o azeite, o açúcar e o sal na cuba da máquina.
Sobreponha as farinhas previamente peneiradas.
Adicione por último o fermento.
Selecione o programa "Massa" e deixe decorrer até ao final.
Retire a pele à alheira grelhada e esfarele.
Corte o queijo em cubos.
Pique o manjericão e o alho, junte ao azeite e misture.
Corte os tomates em metades.
Unte uma forma com um pouco de azeite e salpique com sêmola de milho ou farinha.
Divida a massa de pão em 3 partes iguais.
Coloque a 1.ª parte no fundo da forma e disponha uma camada de alheira, queijo e regue  com 1/3 do molho de mangericão.
Sobreponha a 2ª parte de massa e repeta a distribuição do recheio e molho.
Finalize formando, com a 3.ª parte da massa, pequenas bolas na quais de coloca pedaços de queijo.
Disponha na forma entremeando mais queijo, tomate  e salpicando com o restante molho.
Deixar levedar durante 1 hora num local aquecido.
Leve ao forno, pre-aquecido a 200.º C, durante 35 a 40 minutos.
Retire, deixar arrefecer um pouco.
Desenforme e coloque sobre uma grade até terminar de arrefecer.
Serva decorado com ramos de manjericão e alguns tomates cortados.


Execução tradicional:

Desfaça o fermento num pouco de leite morno com o açucar.
Peneire e misture as farinhas com o sal.
Abra uma cova ao centro das farinhas, junte o leite, os ovos (ligeiramente batidos) e o fermento.
Incorpore a farinha e amasse um pouco.
Deixe levedar durante 1 hora.
Retire a pele à alheira grelhada e esfarele.
Corte o queijo em cubos.
Pique o manjericão e o alho, junte ao azeite e misture.
Corte os tomates em metades.
Unte uma forma com um pouco de azeite e salpique com sêmola de milho ou farinha.
Divida a massa de pão em 3 partes iguais.
Coloque a 1.ª parte no fundo da forma e disponha uma camada de alheira, queijo e regue  com 1/3 do molho de manjericão.
Sobreponha a 2ª parte de massa e repeta a distribuição do recheio e molho.
Finalize formando, com a 3.ª parte da massa, pequenas bolas na quais de coloca pedaços de queijo.
Disponha na forma entremeando mais queijo, tomate  e salpicando com o restante molho.
Deixar levedar durante 1 hora num local aquecido.
Leve ao forno, pre-aquecido a 200.º C, durante 35 a 40 minutos.
Retire, deixar arrefecer um pouco.
Desenforme e coloque sobre uma grade até terminar de arrefecer.
Serva decorado com ramos de manjericão e alguns tomates cortados.


Um pão muito generoso e delicioso, que já fiz 2 vezes e que estou mortinha por repetir!