domingo, 26 de agosto de 2018

Sopa de Pepino e Curgete

Todos os achavam parecidos! Havia até os que pensavam que eram irmãos, idênticos, gémeos quem sabe?
Conheciam-se desde crianças, inseparáveis, confiavam plenamente um no outro e estar juntos era do que mais gostavam. Unia-os uma profunda amizade, ou seria amor?
A questão surgiu-lhes sem estarem à espera e apanhou-os desprevenidos! Um brilho diferente no olhar, um sorriso contido, um suspiro involuntário. Seria possível retroceder, fingindo não ver?
Tinham o universo para conquistar ou tudo a perder?
Se os opostos se atraem no amor, estariam irremediavelmente condenados, ou seria a sua semelhamça apenas um factor exterior?


Quando temos uma horta a forma como decidimos o que cozinhar altera-se ao sabor das estações e do que ela, generosamente, nos oferece. Este ano abundam as curgetes e  os pepinos, chegam para nós e para oferecer aqueles de quem gostamos. Fazendo como a formiga, que se prepara no verão para os dias agrestes do inverno, congelei bastante curgete, já o pepino não permite dessas brincadeiras. As saladas incluem-no quase diariamente, mas porque não usa-lo numa sopa?
Gaspacho leva pepino e nestes dias quentes sabe tão bem, mas e se fosse numa sopa convencional?



Nunca tal me teria ocorrido, foi um desafio do meu marido! Pesquisei e vi que já existem por ai várias receitas de sopa com pepino, a generalidade com o legume cru acompanhado por iogurte natural.
Procurei fazer algo diferente e arrisquei pensado que o mais certo seria ninguém apreciar tal "esquisitice"! Sempre tendo presente que aqui em casa todos gostamos muito de pepino... Resolvi arriscar! Unir o pepino e a curgete foi uma junção feita pelo verão, já que crescem lado a lado, como irmãos! O sabor mais forte de um e a sauvidade do outro criam um equilibrio perfeito.
É uma receita baixa em calorias, boa para quem está de dieta, ou quer simplesmente compensar algumas "asneiras" que as férias convidam tão amavelmente a cometer. Além disso não dá trabalho quase nenhum, faz-se num piscar de olhos, permitindo-nos sair bem depressa da cozinha, porque férias são para disfrutar do sol, da praia e de tanta coisa boa feita de ar livre, azul e verde!



Sopa de Pepino e Curgete

Ingredientes:

600g de pepino;
600 g de curgete;
250 g de cebola;
500 ml de água;
azeite q.b.;
sal q.b.;
folhas de hortelã (opcional).



Execução:

Descascar o pepino e a cebola.
Cortar a curgete, o pepino e a cebola em pedaços pequenos reservando algumas rodelas de pepino para decoração.
Levar ao lume com a água e o sal.
Após levantar fervura, deixar cozinhar durante 15 minutos.
Triturar até obter um creme aveludado e temperar com azeite.
Decorar com folhas de hortelã e rodelas de pepino.
Servir quente ou fria.




Uma sopa muito simples dedicada aos amantes de pepino, talvez por isso muito apreciada cá por casa. Caso se atrevam a experimentar voltem para contar o que  acharam.

domingo, 19 de agosto de 2018

Bebida Vegetal de Amêndoa



Tal como eu, provavelmente também vocês andam com dúvidas sobre o consumo de leite de vaca, será ou não saudável?
As opiniões dividem-se e os estudos contradizem-se, porém são cada vez mais os que afirmam que  os inconvenientes superam as vantagens da sua ingestão. Confesso-me reticente em aceitar aboli-lo da minha alimentação porque gosto muito quer de leite, quer dos seus derivados! Polémicas e estudos à parte, acredito que variar o mais possível é a chave para uma alimentação equilibrada e que incluir as bebidas vegetias em algumas refeições trás imensos beneficios.



Elaborados a partir de cereais, leguminosas ou frutos secos, os leites vegetais têm vindo a ganhar cada vez mais espaço no mercado. Tenho experimentado vários, mas a maior parte das vezes fico dececionada com o sabor. 
A análise da composição também me deixa com pouca, em certos casos,  mesmo nenhuma vontade de repetir, já para não falar no preço por litro que não é nada apetecível!
A opção de os fazer em casa é sem dúvida a melhor, desta forma é possível evitar os conservantes, açúcares, adoçantes, corantes, e mais uma parafernália de aditivos presentes nas versões industriais! A sua execução é  bastante simples, até uma criança o consegue fazer (acabei de ter uma excelente ideia para uma atividade na escola)!




A regra de elaboração das bebidas vegetias praticamente a mesma para todas as variedades, começamos por deixar o ingrediente principal de molho durante algumas horas, depois tritura-se muito bem com água e finalmente o preparado é coado. Os utensílios necessários são poucos e comuns, todos os temos na cozinha, um liquidificador (processador, bimby, varinha mágica, ou similar), um coador de malha fina (um pano serve ainda melhor) e uma garrafa ou frasco com fecho.Quanto aos ingredientes a lista é curta,  um fruto seco, leguminosa ou cereal, água e algo para adoçar, isto para os mais gulosos, e já esta!


Apresento de seguida a receita para o leite de amêndoas, um dos meus favoritos, o que faço mais vezes. É fácil arranjar amêndoa crua, já descascada e com a pele (sem adição de açúcar ou sal). Quanto ao custo, fica mais económico e pode-se aproveitar as promoções, vale a pena o trabalho extra porque o que estamos a ingerir não tem comparação com o de compra. Nutricionalmente obtem-se uma bebida  vegetal muito nutritiva, rica em cálcio, vitamina B e E, zinco, potássio, magnésio, cobre e fósforo. 
A quantidade de amêndoa empregue pode variar conforme o gosto pessoal, geralmente recomenda-se que não seja inferior a 80 grs. A receita que apresento reflete as quantidades da minha preferência, adaptem à vossa. Apesar de referir as tâmaras como ingrediente opcional, recomendo que não o descartem, elas aprotam sabor, uma ligeira docura mas também fibras, minerais e vitaminas.



Já analisaram a lista de ingredientes dos "leites de amêndoa" do mercado?  Alguns referem ter 2% de amêndoa o que equivale apenas a 20grs por litro! O que estamos a pagar (bem caro) é água, adoçante, espessantes, estabilizantes, aromatizantes e vitaminas sintéticas! 

É isto que querem beber?

Aprendi a ver com atenção a lista de ingredientes sempre que vou comprar um produto novo:
  • Os ingredientes em maior percentagem estão sempre nos primeiros lugares;
  • A lista deve ser curta e simples;
  • Há muitos nomes diferentes para designar "açucar" e alguns têm a terminação "ose"(frutose, sacarose, maltose, dextrose, glucose, etc.), há cerca de 45 nomes diferentes para ele;
  • Conheço todos os ingredientes? Seria possível compra-los no supermercado para elaborar a receita em casa? Não? Então o melhor é não comprar!

Bebida Vegetal de Amêndoa

Ingredientes:

100 g de amêndoas com pele (sem torrar);
1 l de água mineral;
4 tâmaras (opcional).


Execução:

Demolhar as amêndoas e as tâmaras de véspera (ou durante 6 a 8 horas).
Triturar usando o liquidificador (robot, varinha mágica, etc.) com metade da água e as tâmaras descaroçadas.
Juntar a restante água e voltar a triturar.
Coar de forma a retirar a polpa das amêndoas, pode-se usar um pano ou um coador de malha muito fina (congelar a polpa para futuras utilizações).
Colocar no frigorífico, agitar antes de usar, conserva-se até 3 dias.


Depois de fazer esta maravilhosa bebida ainda sobra imensa polpa de amêndoa! Habitualmete congelo-a para futuras utilizações, pode-se adicionar a batidos de fruta, sopas, bolos, bolachas, panquecas, gelados...
Um dia destes irei elaborar uma receita com as "sobras", fiquem atentos.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Quarkitos de Morango (Suissinho light)

Sem compromissos, sem comparações, sem pressão, sem condições!
Sem buscar a superação, sem querer a perfeição, 
Sem esperar nenhuma compensação! 
Sem acreditar em promessas e outras conversas... 
Sem permitir que ladrões e aldrabões me roubem ilusões!
Estou aqui por mim, para mim, só porque sim!


No ano passado experimentei plantar morangueiros em vasos, numa varanda com boa exposição solar. Correu tão bem que este ano expandi, comprei mais vasos e criei um grande canteiro no quintal! É a minha nova versão de mulher de unhas curtas, encardidas, pés quase descalços na terra, sachola na mão, e um estilo de vida mais saudável e sustentável!
A produção tem sido abundante, tanto para nós como para os melros e insetos, que se instalaram, gulosos e atrevidos, devorando os mais doces e maduros! Nada a fazer, são biológicos e assim continuarão, tenho que me conformar em continuar a partilha-los.




Sabe tão bem colher um morango e come-lo logo de seguida, sem receios, na certeza que só vai fazer bem. A melhor forma de os saborear é mesmo ao natural, mas de vez em quando apetece juntar-lhes algo mais... 
O verão pede coisas frescas e esta receita tem sabor de verão. É leve, fresca, ligeira e tão fácil de fazer. Optei por a realizar com queijo quark (embora já a tenha experimentado com outros tipos de queijos) por ser considerado um dos mais saudáveis, com baixo teor de gordura e hidratos de carbono, rico em cálcio e em proteína, que nos mantém saciados por mais tempo. Tem outra grande vantagem, uma excelente relação qualidade/preço. Aliamos os benefícios do queijo quark aos da gelatina, rica em colagénio, que tão bem faz à pele, aos ossos, tendões, articulações, etc. O único se não são os corantes da gelatina, mas também para isso é possível encontrar substituto caso façam questão.



Quarkitos de Morango (Petit Suisse light)

Ingredientes:

1 embalagem de queijo Quark (350 g);
500 ml de leite magro;
1 saqueta de gelatina de morango light;
50 g de açúcar de coco (opcional).


Execução na Bimby

No copo da Bimby pesar 250 g de leite e juntar a gelatina, selecionar 5 min/90ª/vel 2.
Juntar o restante leite, o queijo e o açúcar, selecionar 20 seg/vel 10.
Verter em frascos e tapar.
Colocar no frigorífico e ao fim de 30 minutos agitar os frascos.
Deixar no frio durante umas horas até solidificar.

Execução Tradicional

Levar ao lume 250 ml de leite, juntamente com a gelatina. Mexer até estar completamente dissolvida.
Juntar o restante leite, o queijo e o açúcar. 
Bater muito bem (pode usar uma batedeira, varinha mágica, liquidificadora, etc.), até estarem todos os ingredientes bem incorporados.
Verter em frascos e tapar.
Colocar no frigorífico e ao fim de 30 minutos agitar os frascos. 
Deixar no frio durante umas horas até solidificar.

Servir acompanhado com morangos.




Variantes:

  • Optar por um queijo creme mais consistente (tipo Philadelfia), neste caso usar apenas 200g;
  • Substituir o leite por uma bebida vegetal, por exemplo leite de amêndoas;
  • Usar gelatina de ágar-ágar (de origem vegetal);
  • Adoçar usando tâmaras, agave ou mel.




Uma boa tentação para comer a qualquer hora: pela manhã, à sobremesa, num lanchinho (quando aparece aquele ratinho), ou  até mesmo antes de ir dormirr, que é a hora mais gulosa! 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Concentrado de Flor de Sabugueiro (Cordial)

Gentil, era esta a palavra que melhor o defenia. Não admira que todos gostassem dele e que à sua volta sempre brilhassem sorrrisos! Era-lhe tão fácil ser cativante, agradável,  amável... ele era o Sr. Cordial.



São irresistiveis as belas flores de sabugueiro, tão delicadas e perfumadas. Quando passei um dias por terras do Douro, descobri que por lá já se investe na exploração dos sabugueiros. Encontrei campos cheios deles, soube que a produção é toda escoada para Espanha (flores e bagas). Depois importamos o produto final, que encontrei numa pequena loja " A Botica",  entre eles doce feito com as bagas, uma geleia confecionada com as flores, licores e chá. Aos visitantes ofereciam um refresco de cordial com hortelã, mas que quase só sabia a hortelã! Achei o gesto bonito e até lhes recomendei a receita que já está AQUI no blogue, mas que é bem diferente da que hoje vos venho apresentar!




Decidi  realizar um concentrado de flor de sabugueiro que fosse rico em sabor e muito mais leve em açucar, (tem um terço do habitual), porque o meu marido gosta muito e bebe imenso! Tenho que zelar pela sua boa saúde e preocupava-me a quantidade de açucar que ele estava a ingerir, ainda por cima por culpa minha! Sabendo de todos os benefícios do sabugueiro aborrecia-me que por causa do açúcar fizesse mais mal do que bem... então fiz esta experiência, que correu muito bem em sabor,  mas que tem um senão...


Ao contrário dos xaropes que levam imenso açucar, este não se pode  preservar por muito tempo em garrafas esterlizadas! Conserva-se  no frigorífico durante  2 ou 3 semanas, o que é pouco tempo.
Lembrei-me de o congelar, e não é que resultou lindamente! Distribui por pequenas garrafas de água (plásticas), e passado um ano o concentrado continua ótimo, como na hora! Outra forma muito prática  deo  congelar é usar sacos para gelo, assim não é preciso esperar que descogele, vai direto para dentro do jarro. Se tiverem muitas couvetes podem até colocar algumas flores em cada, dá um belo efeito, um refresco mesmo elegante!


A mandolina da Borner tornou a tarefa de fatiar os limões em algo que se faz num instante, com a vantagem que ficam rodelas bem fininhas, extraindo-se assim todo o sabor do limão.




Concentrado de Flores de Sabugueiro


Ingredientes:


4 limões biológicos (tamanho médio);

0,5 kg de açucar;
25 flores de sabugueiro (umbelas ou cabeças);
1,5l de água mineral.



Execução:

Espalhe as flores na bancada e retire algum insecto que possam ter.

Não as lave, nem sacuda pois o polém vai produzir um aroma mais intenso.Separe as pequenas flores das hastes.
Raspe a casce de um limão e esprema o sumo, fatie os restantes.

Leve a água a ferver com o açúcar até que este se dissolva completamente. 
Num recipiente grande coloque o sumo e as rodelas dos limões, a raspa e as flores em camadas, verta sobre estes o xarope de açúcar morno. Verifique que tudo fica submerso.
Tape com um pano e  deixe em infusão durante 24 horas, mexendo um vez por outra. 
No dia seguinte coe o xarope e verta para pequenas garrafas de plástico ou para sacos de cubos de gelo. Congele para usar ao longo do ano.

O refresco obtem-se diluindo uma colher de sopa de concentrado  um copo de água (200 ml), mais ou menos dependendo do gosto pessoal.


Pode-se substituir uma parte do açucar por mel, mas nota-se o sabor que se sobrepõe um pouco ao da flor, prefiro não usar.

Já experimentei com açucar amarelo, fica com uma cor bastante mais escura e um sabor ligeiramente diferente, mas também gostei.






A época da floração do sabugueiro está quase a acabar, mais para norte florescem até ao final de Julho. Aqui na minha zona, Caminha - Viana do Castelo, ainda é possivel encontrar, mas a fase aurea já passou.



Já tenho um pequeno sabugueiro no quintal, demora bastante a crescer. Felizmente por cá há bastantes e ninguém lhes liga nenhuma!  Os nossos vizinhos do norte da Europa há muito que descobriram as maravilhas do sabugueiro, quando forem ao IKEA porcurem na loja de alimentação, caso queiram provar, chama-se Elderflower Cordial.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Salada Niçoise

Fecha os olhos e abre os sonhos, revive todas as sensações, cheiros e paladares. Sente os seixos sob os pés, a água tépida que não refresca mas, de tão azul, inunda a alma!  Segue os teus passos pelo imenso paradão junto ao mar,  aprecia o desfilar colorido dos guardassóis e o explendor das imponentes mansões que o ladeiam. Imagina por momentos, no passado, as senhoras que por aí passeavam envoltas nos seus longos vestidos e de sombrinha na mão. Segue, entra nas velhas ruelas, queimadas de tanto sol, sente o perfume da lavanda e das flores que se espalha pelo mercado, tão belo que delas o nome tomou. Agora, que já estas cansada, senta-te na esplanada e saboreia um fresco e fragante gelado. Bonjour madame! Bonjour monsieur!


Chegou o verão! Adoro este tempo de dias grandes, noites quentes, céus estrelados, grilos e ralos a cantar. Gosto dos passeios pela beira do mar, dos pés descalços, da roupa leve e claro, das férias, das viagens... de descobrir o desconhecido! Enquanto elas não chegam, vou recordar aqui a viagem que fizemos pela Cote D'Azur, já lá vão 3 anos! 


Fomos de carro, fizemos a viajem por etapas, na ida ficamos uma noite em Bilbau - Espanha e outra em Andorra. No regresso, pernoitamos em Lurdes e em Gijon (Espanha de novo).  Porém o destino era o sul de Fança, estivemos em Carcassone e aportamos em Nice. Dai fizemos diversos trajetos visitando: Saint Tropez, Grasse, Ez Sur Mer, Vence, Hautes de Cagnes, Biot, Cannes e Menton. Demos ainda um saltinho ao Mónaco e a San Remo (Itália). Foram dias incríveis, sempre com muito sol e um calor tórrido!


Nice tem tanto para ver, as ruas são lindíssimas, a zona  da Vieux Nice (cidade velha) é um encanto! Pudemos caminhar pelo seu extenso paradão, "Promenade des Anglais", de vários kilomeros, frente ao mar,  com uma vasta aréa de praias, todas com seixos e  mar... um mar azul de água cristalina e morna!
Vale a pena visitar os museus, nas horas de maior calor. Estivemos em muitos, mas recomendo o de Arte Moderna e Contemporânea, o Museu Matisse, o Museu de Belas Artes, o Palais Lascaris, e por fim aquele de que mais gostei, Museu Nacional Marc Chagall, fiquei rendida! 

O Mercado das Flores é um encantamento para uma blogger de culinária, arrastei para lá o meu marido várias vezes com a desculpa de tomar o pequeno almoço, aproveitando sempre para deambular entre as barraquinhas... 






A gastrononia é rica, variada e de uma enorme simplicidade! Não pudemos ir a restaurantes gourmet ou com chefes de renome, o orçamento não permitiu, mas provamos muitas das especialidades locais:  os mexilhões com batatas fritas e molhos de lamber os dedos, foram comidos na zona do Mercado das Flores, no restaurante "Le Festival de la Moule", onde por 14.90€ se podia repetir as famosas"Moules e Frites" as vezes que se quisesse, com molhos à escolha! 




Socca não podia faltar, uma espécie de crepe feito com farinha de grão de bico, que eu adorei; a Tapenade, uma mistura cremosa de azeitonas pretas de Nice, azeite, alho, anchova e alcaparra, que se barra sobre fatias de pão, tão bom;  a  Pissaladière que é uma pizza  coberta por cebolas caramelizadas, azeitonas e filetes de anchovas (sem tomate); nos doces a famosa Tourte de Blettes, uma torta recheada com acelga, pinhão e uvas-passa, achei algo estranha, foi da única coisa de que não gostei!  
Existem restaurantes que servem várias das especialidades para os turistas provarem, tipo tapas, na zona da cidade velha, em pequenas esplanadas espalhadas pelas ruelas estreitas e apinhadas de gente de todos os cantos do mundo! 


Falta falar dos gelados...os gelados artesanais da Fenocchio, que são italianos e deliciosos, os melhores que já comi, e que chegaram a servir de jantar, eheheh!



Não posso esquecer o vinho, ou não fosse o sul de frança terra de vinhos de excelência, há garrafeiras com uma grande variedade de escolha e com preços para todas as bolsas! 


Nos arredores de Nice , Grasse conquistou-me, onde até as ruas cheiram bem! Vim carregada de perfumes, que têm uma excelente relação qualidade/preço, ainda tenho imenso! O meu favorito foi o de jasmim da Fragonard e infelizmente era o frasco mais pequenino que comprei! Visitamos os museus locais, sobre perfume, claro!



Além dos perfumes fiz poucas compras, mas um moinho com ervas de Provence tinha que ser! Claro que umas loicinhas também, e pouco mais que é tudo muito caroooo!


Bem, já vai longo este relato e ainda nem falei da receita! A verdadeira salada Niçoise tem que ter ingredientes provenientes da Provença, por isso esta minha já não encaixa nos parâmetros originais. Os ingredientes podem não ter sido colhidos por Nice, mas parte deles vieram da minha horta biológica! Sim isso mesmo, agora também me dedico à agricultura e que feliz estou!
Há precisamente um ano atrás o meu marido construiu uns pequenos balcões no nosso quintal, que se situa numa zona de montanha e é na maioria constituído por lages de granito. Foi um trabalho arduo, com a terra toda carregada a balde, mas compensou, tudo o que por lá tenho plantado cresce e produz que é uma maravilha! Desde então a horta tem crescido, já tenho 4 pequenos balcões, claro que dá algum trabalho, mas estou mais tempo ao ar livre (bem menos no sofá) e a satisfação de colocar na mesa ingredientes saborosos, acabados de colher e que sabemos serem realmente saudáveis, vale cada minuto que por lá passo!  A horta não foi o único projeto novo... há outro, mais recente e que me está a fascinar, mas não vos conto tudo hoje, assim vão ter que voltar para saber mais!
A foto que se segue já tem um ano, não é todos os dias que se vai para a horta em condições para ser fotografada, ahahah!


Vamos lá à saladinha, que neste dias quentes sabe tão bem! Tentei reproduzir uma que comi em Nice, na verdade há muitas versões desta salada. Não apresento quantidades, é desnecessário, cada um faz na porção que necessita.


Salada Niçoise

Ingredientes:

Folhas de "olho de alface";
Folhas de rúcula;
Tomate cacho;
Cebola roxa;
Folhinhas de manjericão;
Folhas de agrião;
Rabanetes;
Azeitonas pretas;
Ovo cozido;
Atum em azeite;
Filetes de anchova;
Sal q.b.
Azeite q.b.


Execução:

Cozer o ovo durante 12 minutos, descascar e deixar arrefecer.
Lavar bem todos os legumes e escorrer sobre um pano seco.
Fatiar a cebola e os rabanetes fininhos.
Cortar em gomos o ovo e o tomate.
Escorrer o azeite do atum e dos filetes de anchova.
Misturar o sal com o azeite e envolver nas folhas verdes (alface, rúcula e agrião).
Num prato de servir, dispor todos os ingredientes.
Decorar com as azeitonas e as folhas de manjericão.
Servir de imediato.


Lembro-me de pensar inúmeras vezes que eu seria muito feliz se vivesse por terras da Côte D'Azur!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Focaccia de Alho Selvagem

Já conhecera muitas, mas nenhuma como aquela!
Parecia esconder um segredo, guardar um mistério que urgia ser desvendado. Olhando-a com atenção não era possível discernir a sua idade, era como se  o tempo não existisse para ela e a beleza que irradiava fosse eterna. Emanava um aroma familiar, tantas vezes sentido, não era um perfume, mas trazia consigo memórias de conforto e aconchego. A cada passo mais se embrenhava nela, embriagado pela sua presença não se sentia estrangeiro, tinha a sensação de lhe pertencer, de ser parte dela e ela parte dele! Sentia-se insano porque estava a vê-la pela primeira vez!



Estive uma semana na Dinamarca, passei  dois dias em Copenhaga e depois rumei a Aarhus, a segunda maior cidade deste país nórdico, onde mora a minha filha. Fiquei fascinada com as suas florestas, tão diferentes das nossas! Apesar de ser primavera, uma grande parte do chão cobria-se com um manto de folhas secas, lembrando o outono e as árvores ainda se apresentavam despidas. A vegetação que se encontrava era rasteira, muito viçosa, no ar sentia-se o cheiro inconfundível de... alho! Sim alho, cheirava assim porque as folhas verdes pertencem a uma espécie chamada "Allium ursinum", alho de urso ou alho selvagem, trata-se de uma planta com grande valor medicinal e é comestível! 



Fiquei de imediato curiosa  e com um grande sorriso de satisfação!  Apesar de estar de férias não resisiti a colher, provar e experimentar este novo ingrediente! Fiz tudo isso lá em casa da minha filha e trouxe algumas folhas na bagagem e uns pés com raiz para ver se resistem por cá. Certamente não terei sorte, pois gostam de solos frios,  dai existirem em países do norte da Europa.



No início de Abril, quando lá estive, ainda não tinham flores, mas já se viam os botões. Os pés que trouxe comigo, pouco depois floresceram. São singelas e tão lindas as alvas flores de alho selvagem, também elas comestíveis.




Os amantes de alho vão certamente gostar muito destas folhas que se podem usar como tempero, em saladas, pesto, etc. Também é usado em sopas, quiches... embora ao ser cozinhado perca o sabor a alho. 
Preparei uma  aromática focaccia com algum do alho selvagem que trouxe. Bem sei que a maioria não poderá replicar esta receita, mas podem usar espinafres e o nosso alho comum e obter algo semelhante em aspeto e sabor.



Focaccia de Alho Selvagem
(Adaptação de My Food Memoreis de Jamie Oliver)

Ingredientes:

500 g de farinha de trigo para pão (T 65);
1 saqueta de fermento de padeiro (15 g);
1 colher de chá de sal;
350 ml de água tépida;
1 colheres de sopa de azeite.

Molho para cobrir: 

1 molho de alho selvagem;
sal marinho grosso;
azeite q.b.



Execução:

Misture o sal com a farinha. 
Dissolva o fermento na água tépida e junte o azeite.
Adicione à farinha e envolva.
Amasse durante 5 minutos, coloque  a massa numa tigela e cobra com pelicula aderente ou um pano de cozinha húmido e deixe levedar durante 1 hora.

Prepare uma pasta triturando o alho selvagem com o sal e o azeite (como se fosse um pesto).

Unte um tabuleiro fundo com azeite e polvilhe com pão ralado, salpique com sal.
Coloque ai a massa de modo a cobrir o fundo do tabuleiro. Espalhe o molho sobre a massa e com as pontas dos dedos pressione até tocar no fundo do tabuleiro, criando assim textura. Podem-se introduzir algumas folhas enroladas na massa. Salpique com sal grosso.
Deixe levedar novamente mais 1 hora, cobrindo o tabuleiro com um pano húmido.
Pré-aqueça o forno a 220º C.
Deixe cozinhar durante 20  a 25 minutos.


Fiz esta focaccia duas vezes e foi devorada em pouco tempo. Que pena a nossa floresta não ter esta espécie! Temos outras bem sei, não se pode ter tudo!



Foto de Nádia Gonçalves

Foto de Nádia Gonçalves

A minha filha teve a gentileza de me enviar estas belas fotos com o alho selvagem todo em flor, é um encanto esta floresta!