quinta-feira, 12 de maio de 2016

Iogurte de Anis

A noite é escura, negra, tão negra, mas é em noites assim que as estelas brilham mais! Algumas destacam-se de imediato, outras precisamos de nos focar um pouco mais para as vislumbrar. Umas parecem estar tão perto e outras para lá do infinito. São tantas, tantas as estelas, todas de uma beleza sem fim e se algumas nos enchem o olhar, outras parecem pequenos pirilampos que mudam de lugar a cada pestanejar!



A minhas maiores estrelas, as que mais luz trazem à minha vida, são sem dúvida os meus filhos. A expectativa do fim de semana com eles em casa era sempre pretexto para entradinhas, pães recheados, bolos doces e salgados, sobremesas diferentes.  A alegria da família junta à volta da mesa, dos risos, das conversas desenroladas... era motivo para sonhar durante horas com novas iguarias. Na hora da despedida, quase sempre, iam empacotados assados, e pão, que já se faziam a dobrar, para sobrar, que no dia seguinte sabiam tão bem, sabiam a comida da mãe!
As minhas estrelas partiram para longe... com elas partiu muito de mim e ficou alguma amargura e bastante revolta! 
Os meus pensamentos transportam-me até ao coração da minha avó que também viu os filhos sair pelo mundo fora. Penso que apesar de tudo, em comparação, sou privilegiada, comunicamos sempre que queremos. Já ela passava tantos dias com esperança que na mala do carteiro viesse uma carta, que tardava demasiado em chegar. Penso nos netos que não embalou, não pode ver crescer, que mal chegou a conhecer, penso se será assim também um dia com os meus?!Esses tempos passados, aqueles aos quais não devíamos ter que regressar... voltaram. 
Lá foram eles, as minhas duas estrelinhas, cada um para um destino diferente, ambos longe, demasiado longe!


Entre partidas, despedidas, Páscoa não festejada, dias cinzentos e ventosos, uma e outra curta viagem, houve várias tentativas de regresso ao blogue falhadas. Subitamente parece que tudo corre mal, não acerto com nada. Sinto-me a navegar em águas estagnadas, não saio do lugar. A cada insucesso fico mais longe, instalou-se o desânimo. Talvez exija demasiado de mim, talvez necessite de pequenos passos, talvez me faça falta uma mudança de linha, um rumo diferente, talvez precise de tirar os olhos das estrelas e procurar pequenos pirilampos!
Já não posso fazer todas as semanas doces tentações que apenas se dividirão por dois! Não posso emprenhar o pão de enchidos e queijos gordos a pingar sabor, porque não resistiremos os dois a  devora-los.
Entrar na cozinha não tem sido um prazer, antes um dever que nem a chegada da Bimby amenizou! Dever de comer saudável e ter "juízo", porque a idade não perdoa e o corpo também não. Olho para a comida que vou fazendo e não me encanta, não a desejo fotografar, ainda que seja boa ao paladar não me parece nada fotogénica!
Eu sei que muitos são os blogues maravilhosos, recheados de lindas fotos e que apenas contêm receitas saudáveis. Passeio por eles, experimento as suas sugestões... esforço-me por me inspirar neles... esforço-me, empurro-me, exigo-me... e imponho-me recomeçar! 



 Iogurte de Anis

Ingredientes:


1 l de leite meio gordo (pasteurizado);

2 estrelas de anis;
50 g de leite em pó;
1 iogurte natural (bifidus).

Nota: não usei açúcar, mas sintam-se à vontade para adoçar a gosto.



Execução na Bimby:

Coloque 200 g de leite e o anis estrelado no copo, triture (30 seg./vel 10).

Junte o leite em pó e programe (3 min/ 90º C/ vel 3).
Acrescente o restante leite e o iogurte, selecione (5 min/ 50º C/vel 3).
Passe a mistura por um coador e distribua pelos copos.
Coloque na iogurteira durante 12 horas, ou abafe bem com uma manta polar e coloque no forno previamente aquecido a 50º C.
Passado esse tempo leve os copos ao frigorífico pelo menos mais 6 horas.


Execução tradicional:

Triture o anis estrelado num almofariz o melhor possível.

Leve ao lume o leite com o anis e o leite em pó, mexa com as varas até começar a levantar fervura.
Deixe arrefecer até estar apenas morno e junte o iogurte, misture bem.
Coe o preparado e coloque-o nos copos da iogurteira e deixe fermentar durante 12 horas.
Leve ao frigorífico pelo menos mais 6 horas.


Uma volta desejada, mas que se faz devagar e de forma muito simples... sem alcançar as estrelas, em busca apenas de pirilampos!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Tarte Folhada de Carne

- Tens a certeza que queres ficar com ela?
- Sim tenho, ela é um encanto!
- Eu também achava isso, mas depois mudei e opinião.
- Mudaste? Porquê?
- Ela vestia pele de princesa, mas quando a máscara lhe caiu só ficou uma noite escura!
- Cá para mim estás é despeitado, isso são mas é ciúmes!
- Nada disso amigo! Estás à vontade, podes ficar com as minhas sobras, já não quero mais.
- Não sei o que tu lhe fizeste, mas comigo ela brilha, é resplandecente... nesta história quem sobrou foste tu!




Imagino que acontece o mesmo a toda a gente! Nestes dias há sempre imensas sobras de comida!
Algumas quero que sobrem, faço de propósito para sobrarem!
O bacalhau da consoada tem que sobrar para fazer a "Roupa Velha"; gosto de ter assado para repetir noutra refeição e não ter que cozinhar logo de seguida. Depois de passar o dia 24 de dezembro enfiada, o dia inteiro, na cozinha, sabe-me bem parar. É tão bom desfrutar da família, das conversas longas à mesa, dos doces e sobremesas sem hora marcada, dos filmes seguidos na TV, da lareira que arde sem parar. Depois de tanta correria sabe-me tão bem parar!



Mesmo assim continuam a existir sobras! Claro que se congelam e usam noutros momentos, mas gosto de lhes dar uma "reviravolta", de forma a que deixem de parecer "sobras".
Uma boa forma de aproveitar as carnes que vão ficando é fazer uma tarte folhada. Pode ser com massa filo, como esta que aqui trago, ou com massa folhada normal, em qualquer dos casos a apresentação é muito atrativa, ninguém diria que  se está a "reciclar". Parece algo idealizado e feito de raiz para a ocasião! Tem ainda outra vantagem, pode-se fazer uma "limpeza" nos legumes que temos no frigorífico. Permite uma infinidade de variações, como por exemplo juntar cogumelos frescos, um pouco de sobras de arroz... como já disse,  depende do que houver no frigorifico a pedir "socorro, usa-me depressa".
Apenas aconselho a ter algum cuidado para que o recheio não tenha demasiado "molho" pois este irá "empapar" a massa que pelo contrário se quer seca e estaladiça.
Gosto de a acompanhar com uma boa salada.



Tarte Folhada de Carne

Ingredientes:


1 embalagem de massa filo (ou 2 de massa folhada);
500 g a 800 g de restos de carne cozinhada (peru, borrego, galo, carnes do cozido...);
1 cebola grande;
2 dentes de alho;
1 cenoura;
150 g de pimentos coloridos;
350 g couve lombarda (coração, ou outra);
50 g de chouriço de carne;
50 g de bacon;
pimenta preta de moinho q.b.
azeite q.b
manteiga derretida q.b.
sementes de sésamo q.b.



Preparação na Bimby:

Coloque metade da carne no copo e desfie 4 seg/colher inversa/vel 4.  Retire para um recipiente e repita a operação com a restante carne. Reserve.
Coloque no copo a cebola, os alhos e a cenoura. Pique 8 seg/vel 5.
Baixe com a espátula o que ficou na parede do copo.
Adicione 40 g de azeite e refogue 5 min/120ºC/vel1.
Junte o chouriço e o bacon e triture 5 seg/vel 6.
Cozinhe 5 min/100ºC/vel 1.
Acrescente a couve e os pimentos e pique 5 seg/vel 4.
Junte um pouco do molho da carne, caldo de carne ou vinho branco e coza 5 min/100ºC/colher invertida/vel 1.
Envolva bem o conteúdo do copo com a carne desfiada.
Deixe arrefecer um pouco.



Preparação Tradicional:

Desfie as carnes.
Leve ao lume a cebola, os dentes de alho e a cenoura picadas.  Refogue até os legumes estarem macios.
Junte o chouriço e o bacon, cortados em pedacinhos,  deixe cozinhar um pouco.
Acrescente os pimentos, a couve cortada em tiras e salteie.
Adicione as carnes e tempere com um pouco de pimenta preta de moinho.
Se lhe parecer que a carne está algo "seca" pode juntar um pouco de vinho branco, caldo de carne, ou ainda melhor, caso tenha, algum molho do assado. Envolva bem todos os ingredientes.
Deixe arrefecer um pouco.



Montagem

Cobra o fundo de um tabuleiro com papel vegetal, coloque um aro circular sobre o mesmo.
Vá dispondo as folhas de massa filo sobrepondo-as desencontradas, comece por tapar o fundo, depois as laterias e por fim disponha as últimas de maneira a que se possam dobrar e cobrir a tarte como mostra a foto. 
Encha a tarte com o recheio e feche-a com as folhas que dispôs para o efeito.
Pincele com a manteiga derretida e salpique com sementes de sésamo.
Leve ao forno, pré-aquecido a 180º C, durante cerca de 30 minutos ou até a massa ficar dourada e estaladiça.

Se optou por usar massa folhada forre uma forma com um disco e use o outro para cobrir, fazendo uma tampa. Não precisa do cortar os bordos, franza-os um pouco, como se fossem folhos de um vestido, além de bonito, vai saber muito bem trincar essa parte bem crocante.
Com o bico da faca faça um corte em cruz no cimo para libertar o vapor.
Pincele com manteiga derretida.






Assim chegamos ao fim do ano, 2015 foi para mim um ano muito bom!  Vou guardar dele gratas memórias, recheadas de muitos momentos felizes. 
Não tenho por hábito fazer uma lista de desejos para o "Ano Novo", como diz a sabedoria popular o "mais importante é ter saúde que o resto vem por acréscimo". 
Desejo para todos vocês o mesmo que desejo para mim, muita saúde, imensos momentos felizes, o coração sempre quentinho, abraços apertados, sorrisos rasgados. 
Procuremos a felicidade nas coisas pequeninas, ser feliz depende muito mais de nós do que de quem nos rodeia e tranformemos, com amor e carinho, o que é comum em algo especial, festivo e mágico.
FELIZ 2016!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Bolo Rei de Maça e Frutos Secos

Quero que sejam secretos! Ninguém pode saber deles... só eu, serão meus e de mais ninguém!
Vou fazer deles algo especial, disfrutar de cada momento sem pressa, usa-los em meu proveito. Aproveitar bem cada instante, sabendo que só eu sei que eles existem!



Então é Natal!
Ainda há dias foi S. Martinho e não tarda nada chegam os Reis, assim se passam os dias, velozes como o vento, numa constante e imparável correria! Correria que parece ser ainda maior com a chega do o Natal! Eu fico cansada só de tentar organizar mentalmente tudo o que tenho (ou que quero) fazer.  O tempo não me chega, este mês devia ter mais alguns dias antes do Natal. Uns dias secretos, que ninguém soubesse deles, sim porque se não lá tínhamos que ir trabalhar e  ficava tudo na mesma! Não tinham que ser dias especiais... dedicados apenas a preparar a festa de Natal!


Este ano vai ser mais fácil, arranjei uma ajudante... na minha cozinha entrou a modernidade! Sim, sim, que uma pessoa tem que se adaptar às novas tecnologias. A Bimby promete revolucionar a minha forma de cozinhar! 
A verdade é que lhe fui muito, muito, muitíssimo resistente! Até que por fim, de tanto ouvir falar dela, me entusiasmei e... comprei! Estou radiante com o seu desempenho, a facilidade e rapidez, a versatilidade e a eficiência! É verdade, estou encantada com a Bimby, pareço uma criança a explorar o seu novo brinquedo!
Sabem que mais?
Estou a cozinhar de forma mais saudável e económica.
Então e quanto ao sabor?
Alguns ajustes precisam de ser feitos, mas a avaliação até à data é muito positiva!




Ainda estou a dar os primeiros passo, a aprender o Bê-à-Bá... ou melhor o ABC, assim se chama o livro de receitas que a acompanha. Experimento receitas, umas atrás das outras e até já me começo a atrever a experimentar coisas que não estão no livro!
Não foi o caso deste bolo... a massa deste "Bolo Rei" é a receita que está no livro base, mas depois.. depois dei-lhe uma volta diferente!
Espero assim agradar aos que sempre esperam uma ou outra novidade. Bem isto de novidade... olhando com atenção, novidade não será, mas cá em casa é!
Vamos lá à receita então e não estejam para ai a resmungar, por que quem não tem  Bimby também vai poder fazer.



Bolo Rei de Maça e Frutos Secos

Ingredientes:

Bolo

450 g farinha tipo 65, mais q.b. p/ polvilhar;

70 g açúcar;
casca de 1 laranja;
casca de 1 limão;
130 g leite;
70 g manteiga, mais q.b. p/ untar;
3 gemas de ovo;
1 saqueta de fermipan (ou 25g de fermento de padeiro fresco);
20 g sumo de laranja;
40 g vinho do porto;
1 pitada de sal;
1 gema para pincelar.

Recheio


3 maças;
150 g de miolo de noz;
50 g de pinhão;
50 g de passas;
60 g de açúcar mascavado escuro;
2 colheres de sopa de manteiga;
canela q.b



Execução:

Método na Bimby


Na bimby basta seguir a receita do livro base que a acompanha, por isso não faz sentido colocar aqui uma receita que todos já têm, mas para o caso de terem "perdido" o livro, também se encontra no site da Vorwerk AQUI.

Método tradicional


Desfaça o fermento com um pouco de leite tépido.
Leve o restante leite ao lume com a manteiga, até que esta comece a derreter. 
Misture o açúcar com as rapas dos citrinos, usando as pontas dos dedos, até obter um açúcar bem aromático.  
Junte à mistura de leite e manteiga e deixe em infusão alguns minutos. 
Adicione  o sumo de laranja, o vinho do Porto e as gemas, batendo um pouco.
Peneire a farinha para uma bacia e abre ao centro uma cova, junta uma pitada de sal. 
Adicione a mistura líquida e o fermento. 
Comece a amassar até obter uma bola lisa e homogénea, com uma consistência semelhante à massa de pão, um pouco mais mole e elástica, que descola do fundo da bacia (ou bancada). Procure não juntar mais farinha, à medida que se vai amassando a consistência da massa vai mudando (pode ser amassada com um robot de cozinha).
Deixe levedar até duplicar de volume.
Volte a amassar um pouco.
Estenda a massa até obter um retângulo.


Recheio

Descasque as maças e corte-as em pequenos cubos.
Pincele  a massa com a manteiga derretida e espalhe o açúcar mascavado. Polvilhe a gosto com canela em pó.
Distribua a maça, as nozes, passas e pinhões, sobre a massa (reserve alguns frutos secos para a decoração) deixando um bordo livre para depois ao enrolar sobrepor e fechar o rolo.
Enrole como se fosse uma torta.
Pincele a zona da emenda da massa com um pouco de água para ajudar a selar.
Forme uma argola e coloque uma tigela no centro.
Usando uma faca afiada faça golpes ao redor da argola, formando fatias largas, mas sem a separar.
Pincele com a gema de ovo e decore com os frutos secos reservados.
Deixe levedar durante 1 hora.
Pré-aqueça o forno a 180º C.
Leve ao forno durante 35  a 40 minutos.
Pode cobrir com papel de alumínio para evitar que os frutos da decoração se queimem.
Verifique a cozedura antes de retirar do forno.
Deixe arrefecer sobre uma grade.


Um "Bolo Rei" diferente, com um recheio semelhante a um strudel e maça. Fresco, leve, muito saboroso. No dia seguinte continua ótimo.
Termino desejando-vos um Natal imensamente feliz, repleto de amor, paz e muita felicidade.

domingo, 29 de novembro de 2015

Tarte Tatim de Marmelo

Não tenho pressa, pelo contrário, tenho muito tempo para ti. Quero admirar a tua beleza e ter a certeza que és tudo aquilo desejo.
Não tenho pressa, quero que o tempo passe devagar, e me deixe ficar preso nesse feitiço do teu olhar.
E se te disserem que me viram passar apressado quero que saibas que é verdade, tenho sempre imensa pressa de ficar a teu lado!


Já cheira a Natal, mas ainda não me apetecem receitas natalícias. Ando a desfrutar dos encantos do outono e não tenho mesmo nenhuma pressa em apressar o tempo. 
Porém esta tarte ficaria muito bem em qualquer mesa de Natal e tenho a certeza que faria muito sucesso entre os amantes do belo marmelo!




Quem gostar da Tarte Tatim tradicional, tem mesmo que provar esta versão de marmelo! Acreditem é uma maravilha. Além disso é muito fácil de fazer.
Os marmelos como têm baixo teor de água precisam de cozer um pouco antes de irem para o forno.
Usei a tampa flor da Kochblume que permitiu uma libertação gradual do vapor, ajudando a que a redução se processasse de forma lenta, dando tempo à polpa do marmelo de ficar macia.
Vamos lá à receita...



Tarte Tatim de Marmelo


Ingredientes:


1 rolo de massa folhada;

4 marmelos médios (maduros);
150 g de açúcar;
50 g de manteiga;
60 ml de Vinho do Porto;
250 ml de água;
1 pau de canela;
3 vagens de cardamomo;
1 casca de limão.



Execução:



Lave bem os marmelos, parta-os em quartos, retire os caroços e parte mais rija.

Faça golpes ao logo dos pedaços de marmelo mas se chegar ao fundo, evitando que se separem em fatias.
Leve ao lume com a água, o açúcar, o Vinho do Porto, o pau de canela, a casca de limão e as vagens de cardamomo abertas.
Deixe cozinhar em lume muito brando até que o marmelo esteja macio e a calda reduzida a um xarope espesso.
Disponha os pedaços de marmelo numa forma e regue com todo o xarope. Cubra com a massa folhada entalando-a um pouco dos lados.
Leve ao forno a 200º C, durante 25 a 30 minutos, ou até que a massa folhada fique dourada.
Retire do forno e desenforme de seguida.
Se quiser pode pincelar com um pouco de geleia de marmelo.






Esta tarte sai sempre bem, pode ficar mais clarinha salientando-os o amarelo da casca do marmelo, basta substituir o Vinho do Porto Tawny pelo branco e cozer menos tempo.
Se preferir a versão mais escura, da cor da marmelada, neste caso tem aumentar a quantidade de água deixar e cozer durante mais tempo.
Eu optei pelo meio termo, quis que ficasse dourada.
Quem não gostar do cardamomo pode perfeitamente suprimir, eu como gosto deixo que as suas pequenas sementes de espalhem entre os gomos dos marmelos e depois ao tricar há uma explosão de sabor, é uma combinação perfeita!




Não me ocorre mais nada para dizer, julgo que não é preciso as imagems falam por si!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Compota de Maça

Ai, Outono da minha alma, inspiras a paz, inspiras a calma! Trazes contigo a nostalgia da idade serena, do tempo que passou e tantas memórias boas juntou!
Outono dos meus encantos e são eles tantos, tantos, que por mais que o desminta,  que negue o que sinto a verdade é que te quero muito. Tu és beleza pura que se revela como poema escrito na paleta do pintor, que com as tuas cores tatua a natureza de sol pôr.


Olho para ti Outono com sentimentos dúbios. Aborrece-me imenso a tua chegada que mandas o verão embora de empurrão. Apertas os dias de tal maneira que encolhem envergonhados de não poderem resistir à tua força. Ficam  pequenos, coitados, e as noites tão, tão grandes que ainda há pouco acabaram já ai estão de novo trazendo de  mão dada a geada! Deixas as manhãs frias, obrigas a fechar os pés dentro de sapatos e botas, como prisioneiros enclausurados e fazes as camadas de roupa começarem a crescer, lembrando as cebolas que ao descascar demoram o seu coração a mostrar. Não, eu não gosto de ti!


Ou então será que gosto?
Despertas  sensações incríveis, posso ver as cores do pôr do sol estampadas nas folhas das árvores, sentir o cheiro fresco da terra molhada, guardar entre as mãos o calor de uma chávena de chá fumegante, olhar com deleite o fogo a crepitar na lareira, deliciar-me sorvendo lentamente a polpa doce e macia do belo dióspiro e sucumbir ao desejo de encerrar pedacinhos coloridos e perfumados de ti dentro de frascos, nas prateleiras bem alinhados, tal soldadinhos fardados!
Outono afinal eu gosto tanto de ti! 


Raramente como um doce ou compota, imaginar a enorme quantidade de açúcar que estou a ingerir numa simples colherada rouba-me uma parte do prazer. Os doces são sempre... demasiado doces!
Porém abro uma ou outra exceção para alguns da minha eleição! Um deles, dos meus preferidos, é o de maça. Gosto de encontrar pedaços de fruta inteiros no doce ou será que lhe devo chamar compota? A definição é confusa! Costumo chamar doce aos que se trituram e compota aos que mantêm a fruta com alguns pedaços. Seja como for, queria que a maça não se desfizesse completamente e só depois de algumas tentativas consegui. 
Utilizei o descascador da Borner, desperdiçando o mínimo possível da polpa das maças. Gosto muito deste pequeno utilitário que executa várias funções, além de descascar, rala, faz cortes em V e muito mais!


Ingredientes:

2 kg de maças (Bravo e Royal Gala);
800 g de açúcar;
2 paus de canela;
2 tiras de casca de limão;
sumo de 1 limão:
1 colher de sopa de água-ardente velha (opcional).


Execução:

Descasque e descaroce  as maças, corte-as em gomos.
Coloque-as numa panela e junte o açúcar, o pau de canela, a água-ardente velha (opcional), o sumo e casca de limão. Deixe macerar um pouco até formar alguma calda.
Leve ao lume, assim que levantar fervura baixe a temperatura para o mínimo.
Ferve sempre a baixa temperatura até atingir o ponto desejado.
Procure não mexa a compota, sacuda um pouco a panela regularmente. Se lhe parecer que está a pegar deslize a colher pela lateral da panela e depois empurre-a até ao centro. Quanto menos mexer a compota mais inteira se vai manter a fruta.
Esterilize os frascos e seque-os bem.
Coloque a compota ainda quente dentro dos frascos e arrolhe bem.


Uma compota que é uma tentação! Se a Eva ainda andasse por cá iria oferecer a maça desta forma ao seu Adão!
Não faço grandes quantidades, como tenho que comprar a fruta prefiro fazer à medida da vontade e assim evitar que se acabe por estragar. Por esta razão, porque se vai comer rapidamente posso cortar bastante na quantidade de açúcar.


Vamos lá provar este docinho?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Pão de Centeio e Alcarávia

Sentir o seu cheiro
Faz-me viajar no tempo...
Volto a ser pequenina,
No teu colo me sento!
É tão bom recordar
Os teus gestos sábios,
O teu rosto doce,
O calor dos teus lábios.




Gosto de fazer pão, há uma alegria especial em fazer o próprio pão!

Adoro o cheiro que se espalha pela casa. Fico rondando o forno, acompanhando a transformação que ai se opera. Irá crescer? Irá ficar bom?
Invariavelmente o cheiro do pão quente faz-me retornar à infância... em casa da minha avó materna, Rosa Varela, cozia-se pão regularmente.
A farinha vinha do moinho, do moinho de vento. Ia-se buscar de burro, aquilo era uma verdadeira aventura! Pelo caminho parava-se para colher alguns "peros", umas maças alongadas, amarelas e doces. Também se levavam alguns cachos de uvas maduras e iam servir de sobremesa.
Depois vinha a preparação da massa, parece que ainda vejo a avó de lenço atado na cabeça, mangas arregaçadas, sovando a massa uma e outra vez. Não era pouca massa, era muita, cada fornada tinha o pão para a semana e ainda se dava aos vizinhos, numa troca regular e que permitia ficar um pouco à conversa, havia a impressão que o pão da vizinha era sempre melhor!
Moldado o pão era então deixado a descansar, não sem antes se fazer uma reza com gestos em cruz, benzia-se para crescer.
Acendia-se o forno com alguma antecedência, ardiam os cepos e as vides que se traziam dos vinhedos. Finalmente, o pão levedado entrava na boca ardente do gigante e quando de lá saia acontecia magia!
Eu, que nem gostava de comer, adorava uma fatia daquele pão ainda quentinho com a manteiga a derreter ou coberto de fatias de queijo fresco, que chegava de manhãzinha, acabado de fazer!
O pão nunca faltava na mesa, ele era "o coração das refeições familiares", estava presente em todas sem exceção, "que nunca nos falte o pão"!
Há muito pão bom em Portugal, aquele que mais me lembra o sabor do pão da minha avó é o de Mafra. Infelizmente nunca consegui fazer nenhum sequer parecido, o que muito lastimo!




Hoje "Dia Mundial do Pão",  celebra-se pelo mundo inteiro o World Bread Day, que pretende motivar toda a gente e experimentar o prazer de fazer o seu pão.  Desafio aceite mais um ano, desta vez trago-vos uma receita especial, do livro "A Arte do Pão" de Emmanuel Hadjiandreou, um apaixonado pelo pão, detentor de várias receitass premiadas. Neste livro ensina-nos a arte de fazer pão passo-a-passo, adaptando a pequenas quantidades os saberes dos padeiros artesanais.


Cada vez que o abro, volto a folheá-lo como se fosse a primeira vez e descubro que quero fazer todas as suas receitas! Já fiz várias, mas ainda faltam muitas.
Escolhi para este dia especial, um pão de centeio com sementes de alcaravia e feito com massa-mãe de centeio. Uma maravilha, que precisa ser pensada com antecedência, pois a massa-mãe, ou isco, leva seis dias a ser preparada e só ao sétimo dia se faz o pão. Precisa também de temperatura amena para se desenvolver o isco e depois levedar o pão, um processo bem lento mas que é recompensado com muito sabor.


(Adaptado do livro "A Arte do Pão" de Emmanuel Hadjiandreou)

Pão de Centeio e Alcaravia

Massa-mãe


Dia 1: misture 1 colher de chá de farinha de centeio com 2 colheres de chá de água num frasco transparente. Feche bem e deixe repousar de uma dia para o outro.



Dias 2, 3, 4 e 5: adicione 1 colher de chá de farinha de centeio e 2 colheres de chá de água ao frasco e agite. Vão formar-se ainda mais bolhas à superfície.



Ao 6.º dia: misture 15 g do preparado do frasco (1 colher de sopa), com 150 g de farinha de centeio e 150 ml de água quente (a cerca de 37º C) numa taça grande e tape. Deixe levedar de um dia para o outro.


Ingredientes para o pão:

350 g de farinha de centeio;
150 g de farinha de trigo para pão (T 65);
10 g de sal;
250 g de massa-mãe de centeio;
1 colher de chá de sementes de alcarávia (cominhos);
400 ml de água morna;
farinha de centeio para polvilhar.


Execução:


Misture as sementes, o sal e a farinha numa taça pequena (mistura seca).

Misture a massa-mãe com a água, numa taça grande, até ficarem bem ligadas (mistura húmida).
Junte a mistura seca à  mistura húmida e mexa até ficarem bem ligadas, com um aspeto de papas espessas.
Cubra a taça grande com a taça pequena e deixe levedar durante 1 hora.
Verta a massa para uma bancada enfarinhada e dê-lhe uma forma arredondada.
Polvilhe generosamente um tabuleiro com farinha de centeio e enrole a massa na farinha.
Polvilhe generosamente um cesto para levedar a massa (usei uma taça de madeira), coloque ai a massa e polvi-lhe com mais farinha. Deixe a massa crescer para o dobro do tamanho, o que pode demorar de 3 a 6 horas.
Pré-aqueça o forno a 240º C, vinte minutos antes de cozer o pão. Coloque um tabuleiro na ultima prateleira e outro na prateleira central, dentro do forno para aquecerem.
Encha um copo com água.
Vire a massa com cuidado no tabuleiro Já aquecido e introduza no forno.
Verta a água no tabuleiro de baixo.
Baixe a temperatura do forno para 230º C.
Deixe cozer cerca de 30 minutos, até obter uma côdea de um castanho dourado.
Verifique se o pão está devidamente cozido batendo na parte de baixo com a mão fechada, deverá escutar um som oco.
Caso não esteja leve-o ao forno mais alguns minutos.


Este pão valeu cada minuto que lhe foi dedicado, cada etapa, cada gesto!
É tão, tão bom, digno de ser bem apreciado. Quero-o só com um pouco de manteiga, mais nada.


Dedico-o à minha avó Rosa e a todas as avós, mães, tias, mulheres que com carinho e devoção partilhavam (e ainda partilham) com a família a amigos amor e forma de pão!

domingo, 11 de outubro de 2015

Pão de Milho com Crosta de Açucar e Canela

Ela é linda, 
Ele também!
Ela é sexy,
Ele sensual.
Ela é generosa,
Ele é todo coração!
Ela é tão inspiradora,
Ele é uma inspiração!



Olá queridos leitores!
Tenho andado ausente, mas espero que esta fase dê lugar a outra mais produtiva aqui no blogue.
Podia apresentar um leque de motivos para a escassez de posts... este ano tenho mais trabalho é verdade, sou coordenadora do departamento curricular do pré-escolar e isso implica muitas reuniões e trabalho acrescido. A minha turma tem 23 pequerruchos, já muito crescidos, com 5 anos e que me consomem uma enorme quantidade de energia diária e chego muitas vezes a casa apenas com vontade de comer e descansar. Porém nada disso serve de desculpa e por isso cá estou eu procurando inspiração para regressar às publicações regulares. 
Já aqui o tenho dito em diversas ocasiões que tudo ao meu redor me serve de inspiração, mas há pessoas que de facto me inspiram pela qualidade e carinho que colocam no seu trabalho. Muitas vezes dou por mim a imaginar conhece-las pessoalmente, poder conversar sobre culinária com alguém que partilha o mesmo interesse e que não se resume a receitas, mas a livros, revistas, acessórios de cozinha, formas e forminhas, pratos e pratinhos, velharias e tralhas sem fim! Logo seguidas das máquinas fotográficas, das tábuas velhas e carunchosas, que são tão difíceis de encontrar, da busca incessante por mais uma especiaria, semente ou ervinha aromática! Era fantástico!
Lamentavelmente não tenho ninguém assim perto de mim e por isso viajo pelos seus blogues e dou asas a minha fantasia, procurando imaginar os seus gestos na cozinha, a montagem dos cenários, o seu olhar criativo na objetiva...


Conviver no dia-a-dia com um blogueiro de culinária  não é tarefa fácil! É ter que muitas vezes que esperar uma eternidade para comer, porque a sessão fotográfica demorou, ou não poder comer porque ainda não se fotografou! Entrar em todos os mercados, mesmo quando a distância de casa não permite fazer compras de ingredientes frescos; ver coisas boas nas prateleiras dos armários ou do frigorífico que são "intocáveis", ou ouvir um raspanete com "cara muito feia" porque a gula fez desaparecer aquele chocolate que ia servir para um doce especial! São tantas as situações que obrigam quem partilha a vida connosco a ser muito paciente... 
Porém gosto de pensar que também há recompensas, são sortudos quando se sentam à mesa, mesmo que não seja todos os dias, ahahah!
Acho que o meu marido não se importava nada que eu deixasse o blogue de lado, julgo não estar errada quando afirmo que provavelmente ficaria satisfeito. Embora uma ou outra vez sinta um ponta de orgulho no seu olhar quando alguém lhe fala sobre o assunto ou gaba alguma receita que experimentou!


A receita que trago hoje já a fiz várias vezes, é um pão muito simples, encaixa-se na categoria dos "pães de minuto", porque não precisa de amassados complicados, nem de levedar! É tão bom, mas tão bom que ainda bem que é pequenino porque eu não consigo parar de o comer! Mal arrefece um pouco é devorado com manteiga a derreter em cima e um docinho caseiro a coroar o desvario! A última fatia é disputada, ou  mesmo "roubada" sem ninguém ver, para desgosto que quem achava que ainda restava mais um pedacinho. Não faz mal... assim fica a vontade de o voltar a repetir. 
A receita original está no livro "Top With Cinnamon", de Izy Hossack, que por sinal também tem um blogue com o mesmo nome, mas eu descobri-a no blogue do Célio,  o Sweetgula do qual sou fan!



Pão de Milho com Crosta de Açúcar e Canela

Ingredientes;

3 colheres de sopa de açúcar amarelo;
2 colheres de sopa de manteiga c/ sal;
1 ovo;
250 ml de leite;
110 g de farinha de milho fina (usei Espiga, fubá);
110 g de farinha de trigo s/ fermento (usei Espiga T65);
1 colher de sopa de fermento em pó.

Cobertura:

2 colheres de sopa de açúcar mascavado;
2 colheres de sopa de canela em pó.


Execução:

Pré aqueça o forno a 180ºC.
Unte uma forma retangular (pequena) com manteiga e forre-a com papel vegetal, tendo o cuidado de deixar o papel um pouco mais alto que o bordo da forma, assim poderá retirar o bolo sem o virar evitando que a cobertura caia. 
Derreta a manteiga, junte-lhe o açúcar e bata um pouco.
Adicione o ovo, o leite à temperatura ambiente (se estiver frio amorne-o um pouco) e a farinha de milho.
Bata até que todos os ingredientes fiquem ligados.
Acrescente a farinha de trigo com o fermento e envolva na massa.
Verta-a na forma.
Misture o açúcar com a canela, espalhe-os na superficie da massa do bolo.
Leve ao forno de 25 a 30 minutos.
Acompanhe as fatias deste pão, ainda mornas, com manteiga, queijo ou compota.




Divino!
O cheiro que fica na casa enquanto está no forno é de subir ao céu.
Claro que quem não gosta de canela não vai ter a mesma opinião, mas nesse caso substitua a mistura da cobertura por açúcar baunilhado, garanto bom resultado! Pode ainda substituir a canela por cacau em pó... ou outra cobertura da sua imaginação.
Os mais gulosos podem acrescentar mais açúcar à receita e assim em vez de pão têm um bolo.