Mostrar mensagens com a etiqueta Enchidos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Enchidos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Tortilha de Batata com Chouriço

- Vamos repetir?
- Outra vez a mesma coisa?
- Sim... hum! É tão bom!
- Não preferes variar?
- Variar para quê? 
Assim sabe tão bem!




O sol desguia-me, a praia chama-me,  o sofá abraça-me, os filmes prendem-me... e a cozinha essa anda um pouco ciumenta e carrancuda. Coitada, sente-se posta de lado!
O blogue? Ui! Esse nem se fala! Está ressentido, estranha a falta de atenção!




Acontece que para além de andar com pouca vontade de cozinhar, tem-me apetecido revisitar algumas receitas. É que a "ânsia" de ter coisas novas para aqui colocar, acaba por não deixar grande hipótese à repetição! 
Andam assim os dias, cozinha-se, de preferência bem depressinha, senta-se à mesa e come-se descontraidamente. Sem esperas, sem demoras, sem fotos, sem pensar em nada mais que não seja o prazer de saborear algo que me saiu das mãos e saltou para a mesa.
Entre uma e outra comida rápida, fiz esta tortilha... foi então que a olhei, a máquina fotográfica e ela sorria para mim! Está bem, não resisto a esse sorriso cativante... lá lhe peguei!
A receita não tem nada de especial, é bem simples. O gosto pelas tortilhas nasceu de tantas vezes que vamos até à vizinha Espanha, onde em qualquer esplanada se podem provar, muitas vezes é servida como "pincho" junto com uma bebida. Adoro esta forma de tapear que por cá, infelizmente, não acontece. Em alguns locais vão trazendo mais que um "pincho" (um petisco pequenino), claro que as bebidas se pagam um pouco mais caras, mas vale a pena.



Tortilha de Batata com Chouriço

800 g de batatas para fritar;
2 cebolas médias;
8 ovos;
1 chouriço de carne (usei Fumeiro D'Avó Maria);
azeite q.b.
sal marinho q.b.



Execução:

Corte as batatas e as cebolas em rodelas para fritar.
Corte o chouriço também em rodelas.
Numa frigideira grande aqueça o azeite, comece a fritar uma parte das batatas, mais ou menos a meio da fritura junte metade da cebola e do chouriço, a cebola e o chouriço devem fritar com as batatas, assim estas ficam mais saborosas. Repita a operação com os restantes ingredientes.
Bata ligeiramente os ovos e verta-os sobre as batatas, a cebola e o chouriço (já fritos) tempere com o sal. Misture tudo para envolver bem os ovos com os restantes ingredientes.
Verta sobre a frigideira  e leva ao lume, dê algumas voltas ao conteúdo para que vá cozinhando. Depois pressione um pouco para que tudo se acomode e agregue. Deixe fritar de um lado, em lume brando, descole dos lados e abane a frigideira, quando a tortilha se soltar está na hora de a virar. 
Usando um prato grande vire-a, volte a coloca-la na frigideira, com um garfo procure dobrar o bordo para baixo de forma a que fique arredondado.
Está pronta quando vemos que se formam pequenas bolhas e gordura na lateral.



Está é uma receita muito simples e fácil, porém deixo algumas dicas que podem ajudar a conseguir um bom resultado.

Notas: 
  • Não reduza a quantidade de ovos para evitar que fiquei demasiado seca;
  • Certifique-se que usa uma frigideira antiaderente para que seja fácil virar a tortilha;
  • Prefira azeite extra virgem, mas caso não goste pode substitui-lo por óleo de girassol;
  • As batatas (e restantes ingredientes) depois de fritas são colocadas na taça em que se bateram os ovos e bem envolvidos nestes. Este passo é importante para que as batatas se misturem bem com o ovo;
  • A versão original da Tortilha Espanhola não leva leite, nem natas, nem farinha.



A tortilha é excelente para qualquer ocasião, pode leva-la consigo na marmita, para a praia, num piquenique, acompanhe com uma salada e é uma refeição completa. No dia seguinte continua bem boa.




Este é um dos prazeres que gosto de repetir, tão bom! Pode-se variar e acrescentar chouriço, presunto, bacon... também é muito boa com bacalhau.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pão Campestre com Alheira e Queijo

Ela fora feita com uma costela dele! Não seria propriamente uma costela, é mais acertado dizer que tinha dele o miolo, a sua parte mais suave e delicada. Isso fazia deles um par muito especial e não pensem que por partilharem algo tão intimo se tornavam semelhantes, nada disso, pelo contrário! Completavam-se na perfeição, por isso na vida caminhavam sempre de mão dada.



O pão continua a ser uma aventura, uma constante descoberta!
Adoro experimentar novas combinações, novas farinhas,  fazê-lo simples ou recheado... bem, de preferência recheado, eheheh!
Ao fim de semana, aqui em casa, todos esperam por um pãozinho morno e cheio de boas promessas.
As alheiras que recebi vindas de Trás-os-Montes cheiravam bem ainda dentro da embalagem! Depois de pensar e repensar como as usaria não resisti ao apelo do pão. Bem sei que o pão é um dos ingredientes que as compõem e parece redundante voltar a usa-las com pão, mas a verdade é que pão e alheira é um casamento perfeito!




O Fumeiro d'Avó Maria, situa-se em Sabade - Alfandega da Fé. A D. Lurdes confeciona, de forma artesanal, produtos regionais mantendo a tradição e sabor que lhes são tão carateristicos. Teve a gentileza de me oferecer alguns para que experimentasse. As alheiras são deliciosas, verdadeiramente irresistiveis! Fiz questão  de as  grelhar na brasa e assim manter o costume transmontano.
Há muito tempo que não comia uma alheira tão boa! 
Fazem o envio dos produtos para  todo o pais e até para o estrangeiro, bastando uma mensagem para a sua página no  Facebook, não deixem de experimentar.


Gosto especialmente de alheira com broa, broa de milho e centeio, mas como já há aqui no blog algumas receitas com esse tipo de  broa, optei por uma fazer uma versão um pouco diferente, com farinha de trigo e centeio. Decidi dar-lhe um novo visual, um pão com ar de "festa"!
Tentei que fosse um "pullapart bread", traduzido à letra como "pão para puxar" ou "tirar aos pedaços", havendo dentro de cada pedacinho um pouco de recheio Só que com este tipo de massa não resulta, ao levedar fica tudo muito "colado", não se separa como no pão de trigo. Decidi reformular a receita e rechea-lo em camadas.
As fotos são da 1.ª tentativa, por isso são visiveis as "bolinhas".


Pão Campestre com Alheira e Queijo

Ingredientes:

Pão

250 g de farinha de centeio;
300 g de farinha de trigo T65;
2 ovos M;
300 ml de leite;
1 colher de sopa de azeite;
1 colher de chá de açucar;
6 g de sal;
1 saqueta de fermento de padeiro Fermipan (11g).

Recheio

1 alheira grelhada "Fumeiro da Avó Maria" com 300g;
200 g de queijo flamengo "Cavado - Laticinios das Marinhas";
1  chavena de manjericão fresco;
2 dentes de alho;
2 colheres de sopa de azeite;
tomates mimi chucha q.b.


Execução na máquina de fazer pão:

Coloque o leite tépido, os ovos ligueiramente batidos, o azeite, o açúcar e o sal na cuba da máquina.
Sobreponha as farinhas previamente peneiradas.
Adicione por último o fermento.
Selecione o programa "Massa" e deixe decorrer até ao final.
Retire a pele à alheira grelhada e esfarele.
Corte o queijo em cubos.
Pique o manjericão e o alho, junte ao azeite e misture.
Corte os tomates em metades.
Unte uma forma com um pouco de azeite e salpique com sêmola de milho ou farinha.
Divida a massa de pão em 3 partes iguais.
Coloque a 1.ª parte no fundo da forma e disponha uma camada de alheira, queijo e regue  com 1/3 do molho de mangericão.
Sobreponha a 2ª parte de massa e repeta a distribuição do recheio e molho.
Finalize formando, com a 3.ª parte da massa, pequenas bolas na quais de coloca pedaços de queijo.
Disponha na forma entremeando mais queijo, tomate  e salpicando com o restante molho.
Deixar levedar durante 1 hora num local aquecido.
Leve ao forno, pre-aquecido a 200.º C, durante 35 a 40 minutos.
Retire, deixar arrefecer um pouco.
Desenforme e coloque sobre uma grade até terminar de arrefecer.
Serva decorado com ramos de manjericão e alguns tomates cortados.


Execução tradicional:

Desfaça o fermento num pouco de leite morno com o açucar.
Peneire e misture as farinhas com o sal.
Abra uma cova ao centro das farinhas, junte o leite, os ovos (ligeiramente batidos) e o fermento.
Incorpore a farinha e amasse um pouco.
Deixe levedar durante 1 hora.
Retire a pele à alheira grelhada e esfarele.
Corte o queijo em cubos.
Pique o manjericão e o alho, junte ao azeite e misture.
Corte os tomates em metades.
Unte uma forma com um pouco de azeite e salpique com sêmola de milho ou farinha.
Divida a massa de pão em 3 partes iguais.
Coloque a 1.ª parte no fundo da forma e disponha uma camada de alheira, queijo e regue  com 1/3 do molho de manjericão.
Sobreponha a 2ª parte de massa e repeta a distribuição do recheio e molho.
Finalize formando, com a 3.ª parte da massa, pequenas bolas na quais de coloca pedaços de queijo.
Disponha na forma entremeando mais queijo, tomate  e salpicando com o restante molho.
Deixar levedar durante 1 hora num local aquecido.
Leve ao forno, pre-aquecido a 200.º C, durante 35 a 40 minutos.
Retire, deixar arrefecer um pouco.
Desenforme e coloque sobre uma grade até terminar de arrefecer.
Serva decorado com ramos de manjericão e alguns tomates cortados.


Um pão muito generoso e delicioso, que já fiz 2 vezes e que estou mortinha por repetir!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Folar de Chaves

Ela ansiava por se apaixonar. Sonhava em casar cedo, arrebatada por um grande amor. Eis que a vida lhe prega uma partida e coloca na sua mão uma difícil decisão, a escolha entre dois pretendentes, em tudo diferentes, um belo e pobre lavrador ou um lindo e rico fidalgo! 
Apelou à santa da sua devoção por ajuda nesta aflição, a data da resposta aproximava-se e Mariana não sabia quem amava, não podia escolher! 
Só num momento de aflição, vendo que ambos se enfrentavam com violência pelo seu amor, dos seus lábios brotou o nome que já, em segredo, habitava no seu coração... Amaro, humilde de condição.
A escolha estava feita, mas continuava inquieta,  não descansava com receio de retaliação do ressentido fidalgo. Aconteceu então algo inesperado, um bolo com ovos e flores apareceu e a reconciliação e amizade prevaleceu!


A lenda do Folar da Páscoa é bem bonita, um bolo que celebra a reconciliação e a amizade. Não precisa de ser Páscoa para o levar à mesa, embora seja nestes dias que ele se torna imprescíndivel.
No rescaldo da Páscoa não quis deixar esta receita sem publicar, gosto imenso de folares, doces e salgados, especialmente estes últimos! Temos uma cultura gastronómica riquíssima, da qual nos devemos orgulhar muito, venho tentando fazer alguns folares e o de Chaves foi o escolhido desta vez.



A receita deste folar veio de Faiões do concelho de Chaves. Vi-o ser confecionado pelas mãos carregadas de sabedoria da D. Noémia! Fiquei completamente encantada ao observar cada gesto, fazendo tudo parecer tão simples. Vocês também podem ir lá  ver, basta fazer um CLICK, chegam lá num instante!


O chefe Hernâni Ermida, no seu blogue "A vida com mais sabor" fez uma adaptação da receita original para o forno elétrico, numa dose que pudéssemos fazer em nossas casas. Decidi experimentar, juntei um pouco de farinha integral e tive necessidade de adicionar mais ovos, pois a massa não ficou com a textura que se vê no vídeo.
Apresento a receita tal como a fiz, adaptada à máquina de fazer pão, que executa a 1.ª fase.



Já fiz este folar duas vezes... nem sempre compreendemos porque razão ao fazer a mesma receita temos resultados tão diferentes. Há muitos fatores que podem interferir. A experiência deste folar provou a enorme importância que tem a temperatura do forno da hora de fazer pão. Na 1.ª vez fiz o pré-aquecimento do forno, deixei que atingisse a temperatura desejada e coloquei o folar a cozer. O resultado foi bom, mas depois de entrar no forno não cresceu mais nada. Na vez seguinte, o forno começou a trabalhar cedo, fez alguns doces, um assado e no final entrou o folar. Nem queria acreditar no que vi... cresceu, abriu, uma maravilha! Um resultado bastante diferente, além de maior, o miolo ficou mais macio. A única coisa que mudou foi a temperatura do forno, os ingredientes e o modo de execução foram exatamente iguais. 
Agora sempre que fizer um assado, daqueles bem longos, vou ter um pãozinho levedado à espera de entrar no forno no final.



Ingredientes:

400 g de farinha de trigo T65;
100 g de farinha de trigo integral;
5 ovos M;
50 ml de água;
75 ml de azeite;
25 g de banha de porco;
15 g de manteiga;
1 saqueta de fermento de padeiro seco;
sal q.b.
presunto q.b
salpicão q.b.


Execução:

Coloque os ovos de molho em água morna.
Leve a aquecer o azeite com a manteiga e a banha, até que as gorduras sólidas derretam.
Bata ligeiramente os ovos e verta na cuba da máquina de fazer pão. 
Adicione o sal.
Junte as gorduras e a água tépidas aos ovos.
Misture as farinhas  e sobreponha na cuba.
Finalmente espalhe o fermento sobre a farinha.
Selecione o programa "Massa", que amassa e leveda.
Verifique que a massa cresceu para cerca do triplo do volume. Se for necessário deixe-a dentro da máquina mais algum tempo (com ela desligada).
Espalhe um pouco de farinha na bancada e retire o ar à massa espalmando-a com as mãos.
Forme um disco espalmando a massa, disponha o presunto cortado em pedaços e o chouriço fatiado.
Puxe as margens da massa para o interior, dobre o disco a meio (como vê nas imagens).
Deixe levedar durante  30 minutos a 1 hora, num local aquecido.
Pre-aqueça o forno a 200º C (deixe aquecer bastante, o ideal é cozer o folar no final de fazer um assado). 
Introduza o folar no forno e verta um copo de água no fundo para criar vapor.
Deixe cozer durante cerca de 25 minutos. 
Arrefeça sobre uma grande.


Já sei que muitos vão dizer que feito do modo tradicional é melhor, porque a máquina acelera a fase de levedar. Eu deixo a massa dentro da máquina no fim do ciclo, já depois de desligada, durante mais algum tempo. Na 2.ª fase de levedar, fica sempre cerca de 1 hora. Desta forma consigo um bom resultado que me satisfaz. 


A qualidade dos fumados é também fundamental. Procurem artigos regionais, se possível caseiros, ainda se encontram em feiras e mercados. Ou então marcas que reproduzem receitas e modos de confeção artesanais, como é o caso da marca "Quinta dos Fumeiros", parceiro deste blogue. 


Porque o sonho comanda a vida eu continuo a sonhar com um forno a lenha, desses onde antigamente se cozia o pão, o sabor é único e não se consegue reproduzir no forno eletrico ou a gás, ainda que fique bom... não é a mesma coisa!


O interior do folar desta foto foi o da 1.ª tentativa, o segundo não houve tempo para fotos, chegou ainda morno à mesa e... desapareceu num piscar de olhos.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Polenta com Ovos e Chouriço

Estou cheia de vontade, apetece-me mesmo!
Quero já, não posso esperar.
Quero aqui e agora, sem demora.
Tenho urgência e preciso que seja um momento intenso...
Não quero lentinho, quero mesmo rapidinho,
Rapidinho mas com muito gostinho!


Todos precisamos de algumas receitas que sejam bem rápidas de confecionar, mas que nos deixem satisfeitos e saciados. Foi assim com esta polenta, ela é em si uma refeição completa, feita sem demoras e comida bem devagar!


A polenta entrou cá em casa há relativamente pouco tempo! Andava muito curiosa, mas só me decidi a experimentar quando encontrei a semola de milho adequada, pois não me apeteceu estar a mexer uma papa de milho borbulhante (durante bastante tempo) e sujeitando-me aos seus salpicos escaldantes! 
Quem não viu pode espreitar a Polente de Alheira e Coentros, foi a 1.ª que fiz e gostei imenso.
A semola de milho (instantânea) que utilizei nesta receita veio de longe, da Suiça, pela mão de uma conterrânea que lá se encontra emigrada e me fez uma surpresa durante as suas férias de verão, oferecendo-me 2 embalagens de polenta, com texturas e tempos de cozedura diferentes (uma mais grossa coze em 4 minutos e a outra, mais fina, que coze em 2 minutos). Muito obrigada Carla Vilarinho pelo carinho, esta receita é-te dedicada e espero que fiques com vontade de a reproduzir, vale a pena.
Cá em Portugal também já é possível encontrar deste tipo de semola de milho para preparação de polenta,  vi-a no Continente, embora muito cara, acabei por comprar numa loja de produtos biológicos (no Porto), com excelente qualidade e muito melhor preço.


Polenta com Chouriço e Ovos

Ingredientes:

1 + 1/2 chávenas de farinha para polenta (instantânea);
1/2 chouriço de peru "Quinta dos Fumeiros";
1 cebola roxa;
100 g de tomates cherry;
50 g de queijo parmesão;
salsa q.b.
5 ovos;
azeite;
pimenta preta (moida na hora);
sal marinho "Marnoto"q.b.
flor de sal "Marnoto" q.b


Execução:

Preparar a polenta segundo as instruções do fabricante.
Adicionar a salsa picada, o queijo ralado e os temperos a gosto.
Numa frigideira com um pouco de azeite fritar o chouriço.
Laminar a cebola e juntar ao chouriço, salteando-a até amaciar.
Juntar os tomates cherry.
Envolver o conteúdo da frigideira com a polenta já cozida.
Verter tudo na frigideira que se usou anteriormente (não lavar a frigideira e se necessário juntar um pouco mais de azeite).
Usando as costas de uma colher, fazer pequenas concavidades na polenta e deitar em cada uma 1 ovo. Salpicar com flor de sal.
Levar ao lume, temperatura média, para tostar por baixo, sem deixar queimar (como se fosse uma omolete).
Finalizar dentro do forno até que os ovos estarem cozinhados.


Servi esta polenta num almoço, acompanhada de uma boa salada e não foi preciso mais nada!
Já fiz outra, depois desta, com mistura de 2 tipos de queijo, ficou mais macia e cremosa... uma delicia!
As variações possíveis são imensas é só usar a imaginação. Pode-se servir como acompanhamento, entrada ou neste caso, como prato principal.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Polenta de Alheira e Coentros

Comemoramos hoje o "Dia de Portugal", numa época em que cada vez mais as portas e janelas estão abertas e os horizontes se estendem sem limites nem fronteiras.
Embora os tempos não sejam os mais generosos, a verdade é que vivemos num país muito belo, com paisagens maravilhosas, searas ensolaradas, montanhas verdejantes e um mar azul que nos permite estender o olhar até tocar no céu. 
Somos viajantes, sempre o fomos... os nossos antepassados ajudaram a descobrir o mundo e nele nos espalhamos. Emigramos no passado, voltamos a emigrar no presente e juntamos o que temos de melhor com aquilo que encontramos de bom nas culturas com que nos misturamos.


Hoje proponho que apenas pensemos nas coisas boas que temos e são tantas, a nossa gastronomia é riquíssima e das melhores do mundo, os vinhos, queijos e os enchidos... são mesmo de perder a cabeça! 
Sendo nós um pais de descobridores, temos nas nossas raízes pedacinhos do mundo inteiro. Pensando nisso fiz esta polenta, que mistura uma sabor italiano, das gentes humildes dos campos com a nossa alheira, também ela nascida nas cozinhas dos lavradores.




Ingredientes:

1 chávena de semola de milho instantânea;
3 chávenas de água;
2 alheiras;
1 ramo de coentros frescos;
sal marinho;
queijo parmesão ralado q.b.



Execução:


Reitar a pele das alheiras e desfazer numa frigideira. Levar ao lume até dourar.
Cozinhar a semola de milho com a água, uma pitada de sal e metade dos coentros picados, mexendo continuamente até espessar.
Misturar a semola com a alheira, juntar queijo parmesão ralado e mais alguns coentros. Levar ao lume em temperatura branda até que se forme um bolo bem ligado. Virar sobre um prato e servir.
Polvilhar com mais um pouco de queijo parmesão e coentros picados.



Esta polenta serve como entrada ou até mesmo como refeição. 



Temos muitos e bons motivos para continuar a sentir orgulho em sermos portugueses, na verdade gosto muito do meu pais e das suas gentes afáveis, generosas e simpáticas com sorriso caloroso e alma de fadista.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Bolo Rei de Enchidos

Viro eu e viras tu,
Viro a cara,
Reviro os olhos,
Viro e reviro em volta da vida!
Se viro as pernas para o ar...
A cabeça vira para o chão!
Vira-se o mundo ao contrário,
Vira salgado o doce,
Vira-se o tempero, mas no fim...
Vira gargalhada o sorriso,
Viro-me para ele,
E vira-se ele para mim.
Virou-se o bico ao prego!




As festas estão quase a terminar e eu ainda não terminei de fazer tudo o que queria!
Porém o Bolo Rei não podia deixar para trás, andei que tempos a magicar nele, virei-o de todos os lados, 
Virei e revirei, há tantos ângulos diferentes para ver, com frutos secos, com cristalizados, com chila, com chocolate, direitinho, escangalhado... tantas variantes, porque não salgado?



Vira, daqui e de acolá, vira, mas permanece na sua essência "Bolo Rei", ou será que não?

Bolo Rei de Enchidos

Ingredientes:

540 g de farinha de trigo T 65;
100 ml de leite;
3 ovos + 1 gema;
50 ml de cerveja;
25 ml de água ardente;
100 g de manteiga;
50 ml de azeite;
raspa de 1 laranja;
8 g de sal marinho tradicional;
4 g de fermento seco de padeiro.

* Todos os ingredientes deverão estar á temperatura ambiente.

Recheio e Cobertura

100 g de chouriço;
100 g de presunto;
100 de salpicão;
100 g de moira;
100 g de chouriço de cebola;
100 g de bacon;
50 g de chouriço de porco preto;
folhas de salva q.b.
ramos de alecrim q.b.
100 g de amêndoas com pele:
75 g de pinhões;
50 g de azeitonas pretas;
50 g de azeitonas verdes;
oregãos q.b.
flor de sal q.b.
leite para pincelar.


Produtos de parceiros usados nesta receita: ervas das "Aromáticas Vivas"; sal marinho tradicional e flor de sal "Marnoto-Necton"; salpicão da Serra D'Arga e chouriço de carne "Quinta dos Fumeiros"; oregãos "Suldouro".


Execução para Máquina de Fazer Pão:

Colocar na cuba da máquina, o leite tépido, a cerveja, o azeite, os ovos e a gema (ligeiramente batidos)
Acrescentar a água ardente,  a raspa de laranja, o sal, a manteiga partida em cubos pequenos.
Seguidamente adicionar a farinha peneirada e por último o fermento.
Selecionar o programa "Massa". Deixar decorrer até ao final e voltar a selecionar novamente.
Fazem-se 2 ciclos de amassar e levedar.
Pode ser necessário deixar a massa levedar mais algum tempo no final do 2.º ciclo, até que cresça e encha a cuba. 
Deverá obter-se uma massa muito arrendada e elástica.




Execução  Tradicional:

Preparar e esponja dissolvendo o fermento no leite morno e juntando 100 g de farinha, misturar bem. Se optar por usar fermento fresco necessita de 20 g (1 cubo). Tapar com pelicula aderente e deixar levedar cerca de 30 minutos, até que duplique de volume e esteja “borbulhante”.
Colocar a restante farinha peneirada num recipiente e abrir um buraco ao centro. Juntar a esponja, os ovos, a manteiga (amolecida) a raspa de laranja; a cerveja, a água ardente, o azeite e o sal. Amassar muito bem, inicialmente a massa é pegajosa, mas aos poucos vai-se tornando elástica e descolando das beiras do recipiente. Formar uma bola e deixar levedar em local aquecido (pode ser dentro do forno no programa para levedar, ou a 40.º). Quando tiver duplicado de volume (após cerca de 2 horas, mas pode precisar de mais tempo) voltar a amassar bem, agora ao esticar a massa deve ser possível ficar bem fina, sem romper. Voltar a deixar levedar até de duplique ou triplique de volume.


Nota: Esta massa pode também ser feita numa batedeira usando as varas de arame apropriadas.


Montagem:
Verter  a massa sobre uma bancada (ou sobre uma tábua de madeira), salpicada com um pouco de farinha e com as mãos estendê-la, esticando-a até obter um retângulo.
Cortar o bacon, o presunto e todos  os enchidos em pedaços pequenos, reservando alguns maiores para a decoração.
Saltear o bacon.
Picar as folhas de salva e de alecrim. 
Espalhar sobre a massa o bacon , o presunto, os enchidos, as ervas aromáticas, os pinhões e as amêndoas.



Enrolar com se fosse uma torta.
Formar uma coroa, unindo bem as extremidades (meter uma dentro da outra e pressionar para que fiquem bem juntas).



Transferir para um tabuleiro enfarinhado.
Pincelar com leite.
Decorar com rodelas dos enchidos, tiras de presunto e de bacon, azeitonas, pinhões, amêndoas e ramos de alecrim.
Salpicar com oregãos e flor de sal.



Deixar levedar, num local aquecido (pode ser dentro do forno a 40.º) entre 30 a 45 minutos.
Cozer no forno, pré-aquecido a 200. º, coberto com papel de alumínio, durante 35 minutos. Retirar o papel de alumínio de cozer mais 10 minutos ou até que fique dourado.



Alegrem-se todos os que não são apreciadores do tradicional "Bolo Rei", pois este é uma excelente alternativa.


Quem não tem a MDF pode fazer na mesma, precisará de força de braços para amassar muito bem esta massa, mas o resultado final será muito semelhante. Terá que ter muita paciência e deixar a massa levedar bem, voltar a amassar e voltar a deixar levedar, são 2 ciclos de amassar e levedar e depois de recheado e dada a forma final volta a levedar. Acreditem que vale a pena a espera.




A massa é muito saborosa e bem fofa, o recheio nem se fala! 




Agora que já tenho este... estou a sonhar com o outro!
Pode lá ser, já a pensar no outro ainda agora chegou este?
Vira, que vira... mulher nem sabes para onde te hás de virar!

domingo, 28 de julho de 2013

Broa de Milho com Salpicão

Faz parte das minha memórias...
O calor do forno do a arder, o cheiro da farinha de milho escaldada na maceira, o ritual da espera, do amassar... esta era a parte mais divertida, havia sempre um pouco de massa para mim, a minha broa!
Seguia-se o rolar a massa na gamela de madeira, levedar entre o calor do forno e os cobertores que a embalavam. Depois, virar na pá, meter ao forno e esperar... o cheiro do fogo, do  borralho, da broa a cozer. Depois vê-la sair quente, ainda a escaldar e esperar um pouco mais, esperar para então a poder provar. 
Era assim em casa do meu avô, onde a broa saia com mestria das mãos da minha tia Lena.


Hoje, tantos anos passados procuro recrear os seus gestos, com outros objetos, num formo elétrico... e para lhe dar um pouco do sabor fumado juntei-lhe o belo salpicão da"Casa da Prisca" 
Acompanhou-a um excelente "champarrião" que o meu marido fez e que estava bem bom. 
O lindo jarro é um peça de artesanato alentejano (obrigada Daniel e Carla).


 Broa de Milho com Salpicão



Esta foto mostra a broa antes de cozer, já levedada.


Não tem o mesmo sabor, o forno de lenha é insubstituível, mas mesmo assim posso vos garantir que soube muito bem.


Vou continuar a fazer, mudando a proporções das farinhas, gosto da broa mais escura e levemente azeda... com paciência chego lá.


Enquanto deixo-vos esta broa ainda morna, com o aroma do salpicão... 


... são servidos?